domingo, 31 de julho de 2016

American Horror Story, Temporada 04

Se você se assutou, NÃO ASSISTA À TEMPORADA

            Teve texto sobre as primeiras temporadas? Não! Tem problema? Também não! Para quem não conhece, AHS (vou chamar assim porque o nome é muito longo para ficar repetindo) é uma daquelas séries em que uma temporada não depende da outra (apesar de, de vez em quando, elas terem algumas referências às outras, mas que não causam problemas de entendimento). A maioria dos atores continua a mesma, mas as histórias são completamente diferentes, tendo apenas o ar sombrio em comum. Se as outras temporadas (casa mal assombrada, hospício e ninho de bruxas) já moravam no meu coração, essa, de um circo de bizarrices, continuou me cativando.
            A premissa dessa temporada começa bem simples, mas o problema vai tomando tantos vieses e os conflitos vão mudando tanto ao longo da temporada, que se torna bastante difícil falar sobre ela sem dar muitos spoilers. No começo, temos praticamente três núcleos: o circo, com cada “aberração” tendo os seus próprios conflitos (normalmente ligados ao que as torna diferentes), os vendedores, que querem ir até esse circo para matar e vender os corpos das “aberrações”, e o palhaço mauzão que aprisiona crianças (sim, eu tenho aflição de palhaço, e sim, eu sofri muito com essa parte). A graça está em que, quando tudo acaba, todas essas questões iniciais já são irrelevantes, porque essa temporada em especial segue um ritmo totalmente frenético até chegar ao seu fim. Se você não gosta de surpresas, ou de se sentir um pouco enganado pelo que está vendo, eu recomendo que passe longe dessa temporada em específico.
            O que eu acho realmente incrível nessa série são os atores. A cada temporada, com os papéis mudando drasticamente, eles continuam incríveis. Sou uma eterna fã da Jessica Lange, acho tudo o que ela faz, inclusive essa temporada, incrível, e jamais vou esquecer dela falando “Eu sempre venço contra o macho patriarcal” na segunda temporada. Fico triste de saber que eu não vou vê-la na quinta temporada. Quanto a Sarah Paulson e Evan Peters, que também são grandes favoritos, acho que essa temporada foi muito boa para eles. Para Paulson na medida em que, ao interpretar duas cabeças com pensamentos distintos, ela teve que colocar suas habilidades de atriz à prova, e para Peters porque ele conseguiu trazer uma sensibilidade ao garoto lagosta que provavelmente não seria qualquer um que conseguiria fazer.
            Um ponto muito controverso sobre a temporada é que ela já tem alguns números musicais, e houve uma reclamação geral de que as músicas são posteriores à época em que se passa a série. Mas de verdade, reclamar que uma série que não tem qualquer comprometimento está cantando Bowie em um circo de aberrações? Tenho certeza que ele amou a homenagem...

            No geral, achei uma temporada bem forte. Os personagens conseguem te envolver tanto nos seus conflitos internos quanto nos conflitos mais gerais e externos, a sua atenção fica completamente na série, com a dúvida sobre qual fim ela vai levar (e juro que se alguém previu o que ia acontecer, a pessoa tem que me explicar passo a passo como chegou nessa conclusão). O tom assustador é, para mim, mais presente do que na temporada anterior, até porque ela serve para comprovar que todos os monstros são humanos, mas para mim esse é seu maior acerto de roteiro. A temporada termina lindamente, com uma canção.


A lenda de Tarzan, dirigido por David Yates (The legend of Tarzan)

Trailer: 
Fala do filme: “I wanna go home.” “This is out home.” “Trying to keep me here just won’t work.” (“Eu quero ir para casa.” “Essa é nossa casa.” “Tentar me manter aqui não vai funcionar.”)
Vale a pena: Esse foi um filme que eu fui quase sem expectativas (exceto minha mãe e irmã que falaram que era legal), e que acabei me encantando em vários aspectos. Em primeiro lugar, pelo conflito do filme, que mostra a cultura europeia como a real opressora que ela foi no neocolonialismo africano, o que não é o mais comum para os padrões de super-produção hollywoodiana. Em segundo lugar, porque ele tem alguns detalhes que geralmente são ignorados, mas que fazem sentido: como as tribos africanas são diferentes entre si, com pinturas, línguas, estrutura física, tudo, diferente, mesmo sendo da mesma região que a Europa decidiu que seria um país. E em terceiro, pelo visual geral da obra, com todas as cenas reais e “falsas” (de efeitos especiais) sendo de tirar o fôlego. O filme vale a pena para quem quer assistir algo extremamente bem feito, mas que tem um pingo de noção crítica sobre a história da humanidade, além de quem adorava o Tarzan quando era criança e que quer ver uma releitura um pouco mais adulta do personagem. Ah, e mesmo com sono, esse é um dos que dá para assistir, que ele é bem agitado!
Não vale a pena:.Ir esperando um filme completamente cabeça, com uma profundidade psicológica gigantesca, personagens com grandes conflitos internos. O filme tem esse conflito de colonizado vs. colonizador em diversos níveis, mas ele não foca exatamente em conflitos internos e em qual é a moralidade de cada personagem. Além disso, me incomoda um pouco que uma personagem tão legal como a Jane tenha acabado exatamente igual a qualquer princesa da Disney, no fundo tendo que ser resgatada pelo seu verdadeiro amor.
Gostei? Sim, eu adorei! Recomendo que quem o veja assista aos créditos e repare na quantidade de pessoas envolvidas apenas em fazer os seus efeitos especiais.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Bom, em primeiro lugar, que coisa horrorosa que foi a decoração interna do barco, com aquele cisne empalhado no canto. Além disso, achei legal a maneira que eles usaram o branco: no geral, ele mostra a separação das pessoas que estavam explorando o Congo dos moradores, como um sinal de “nobreza”. Já para Jane, quando ela chega na África e se vê realmente feliz, ela passa a usar a cor, que para ela simboliza uma verdadeira felicidade.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Todos os cinemas.
PS: Não sou a maior conhecedora da história da África, afinal, esse é um assunto estramente pouco discutido no Brasil. Se eu tiver falando alguma besteira, peço UM MILHÃO DE VEZES que alguém me avise. 


Do que se trata o filme: É uma continuação da história do Tarzan, com ele já adaptado à sua vida na Europa com a Jane, e precisando voltar para o Congo para tentar resolver alguns dos conflitos do país.

Gente essa cicatriz é uma maravilha da arte das maquiagens.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Janis: Little Girl Blue, dirigido por Amy Berg (Janis: Little Girl Blue)

Trailer: 
Fala do filme: “Maybe that’s what ambition is. The seek for love. A lot of love.” (“Talvez ambição seja isso. Uma busca pelo amor. Muito amor.”)
Vale a pena: Os últimos tempos têm sido muito favoráveis para os filmes documentais sobre música, seja no cenário internacional (Amy, Nina Simone) quanto no Brasil (Chico, Raul Seixas, Tropicália), e eu acho isso muito bom. A música e o cinema sempre se complementam, e a maioria dos cantores têm uma boa história para ser contada, então por que não juntar essas duas coisas? E esse filme realmente não foge à regra: a história de Janis, contada nas telas, é realmente fantástica, desde a sua relação com a música e a plateia até o seu final trágico, e inclusive tem muitas semelhanças com a de Amy Winehouse. O filme vale a pena para quem tem interesse nessas histórias trágicas e que quer entender melhor o que aconteceu com ela. Além disso, como ela já morreu há muito tempo, há toda a questão de que não há muitas fontes diretas sobre a sua vida, e achei a solução que encontraram para isso bacana, com o uso de cartas que ela escreveu para família, algumas poucas entrevistas que passaram com ela na televisão, e muitas pessoas que a conheceram ainda viva dando depoimentos. Achei incrível ver o carinho que algumas dessas pessoas ainda têm por ela, fiquei realmente emocionada com os depoimentos. E bom, ela era uma mulher que, apesar de seus problemas, teve um grande desprendimento social e pôde fazer o que ela quis, e é muito inspirador pensar que isso já estava acontecendo com mulheres nos anos 1960.
Não vale a pena: O filme começa de maneira arrepiante, com um depoimento de Janis sobre porque ela gostava de cantar e sobre o porquê dela amar o rock and roll. Mas senti que depois disso, o filme fica meio frio, seguindo uma fórmula de apresentar as coisas ano a ano extremamente linear, usando os mesmos recursos para representar as mesmas coisas, então todo o meio do filme ficou meio entediante (não por conta da história, mas da apresentação dela), e depois ele tem um fim novamente impactante. Ou seja, não é um filme para quem vai ver com sono, nem para quem espera algo muito agitado.
Gostei? Honestamente, não muito. Eu fui esperando um desses documentários maravilhosos como os que citei acima, não achei que ele estava nesse mesmo patamar.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Recentemente, estava conversando com uma amiga lésbica e ela me explicou que aparentemente é um estereótipo lésbico saber sobre horóscopo. Considerando a quantidade de vezes que ela fala sobre isso no filme, eu acharia que ela era lésbica, se não fosse o fato de ela também se relacionar com homens.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Reserva e Espaço Itaú.


Do que se trata o filme: É uma cinebiografia da Janis Joplin, tentando analisar um pouco do que aconteceu em sua vida, até sua morte.


Uma mulher incrível, um filme médio

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Julieta, dirigido por Pedro Almodóvar (Julieta)

Trailer: 
Fala do filme: “Muchas gracias.” “Por qué?” “Por no dejarme envellecer solo.” “Eres tu qué no me dejas sola.” (“Muito obrigada.” “Por quê?” “Por não me deixar envelhecer sozinho.” “É você que não me deixa sozinha.”)
Vale a pena: É inegável que o Almodóvar sabe fazer bons dramas femininos, porque ele já provou isso com alguns de seus filmes anteriores (e eu inclusive continuo achando muito peculiar que ele tenha realmente essa sensibilidade geralmente ligada ao universo feminino). O filme vale a pena por ter um enredo fora do comum para a média dos filmes que passam no cinema, trazendo conflitos muito reais que passam pelo ser humano com uma certa delicadeza, e também por ser muito bonito: as paisagens são bonitas, as pessoas (algumas) são bonitas, a decoração dos ambientes é muito bonita. Como todo filme dele, ele está cercado de misticismos, cores que significam determinadas pessoas, e personagens no mínimo peculiares, como é no caso a governanta da casa de Xoán. Para quem assistiu somente A pele que habito e achou extremamente perturbado, pode ir ao cinema ver esse filme tranquilamente! Ele é muito mais “light”, digerível, e achei até que em um determinado grau, mais maduro.
Não vale a pena: Bom, eu gosto daquela faceta meio doida e perturbada dele, então eu meio que esperava um pouco mais de mistério, de metáforas, e entendo bastante as críticas que foram feitas ao filme nesse sentido. Ele não é um filme que valha a pena para quem quer uma história em que nada seja o que parece, mas sim para quem quer algo mais pé no chão. Mas mesmo assim, não vale muito a pena ir assistir esse filme se você estiver com sono ou preguiça de pensar, porque ele continua sendo um grande drama.
Gostei? Sim, apesar de ter sido de uma maneira totalmente diferente da que eu esperava.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Uma coisa que eu adorei foi que na geladeira dela, no começo do filme, os ímãs são todos em formato de planetas. Além disso, achei engraçado como eles vão mostrando o amadurecimento de Julieta através dos brincos, que se tornam cada vez menores e mais delicados. E também um comentário geral: na Espanha, como no Brasil, não basta você ser um grande cineasta, você ainda precisa de 1 milhão de bolsas e ajudas para conseguir produzir seu filme.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Cinema circuito alternativo.


Do que se trata o filme: Ele é uma retrospectiva da vida de Julieta, contada por ela mesma a partir de um momento marcante de sua vida. De como ela conheceu seu ex-marido até como ela acabou se afastando de sua filha, tudo é contado com a auto-crítica que ela carrega.

Gente, olha essa riqueza de detalhes.

domingo, 17 de julho de 2016

BÔNUS: Hannibal, criado por Bryan Fuller (Hannibal) - TEMPORADA 1

            Começarei a resenhar com menos regras algumas outras coisas relacionadas a cultura que fazem parte da minha vida, como temporadas de séries e alguns livros, tanto para treinar a minha capacidade de fazer isso quanto para tentar orientar pessoas a partir da minha experiência.
            E para começar esse exercício, não poderia escolher praticamente nada mais polêmico do que Hannibal, a série que acabou não sendo renovada após a terceira temporada porque, apesar de ser um sucesso de crítica, simplesmente não conseguia a audiência necessária para continuar sendo produzida. Adianto que essa realmente não é uma série para todo mundo, mas ver que não haverá continuação já me deixou um pouco decepcionada. Por outro lado, sabendo que era uma série que iria logo acabar, e que estava disponível do Netflix, acabei dando uma chance para ela, algo do qual não me arrependi.
            Admito que começar a série foi difícil, porque ela é muito densa psicologicamente, tem muitas cenas que passam um pouco o meu limite do que é perturbador, e acabei até sonhando que minha mãe era uma assassina por conta dela. Mas, ao decorrer dos episódios, por conta de uma mistura de um roteiro muito bem feito, com uma adaptação visual muito boa, atuações de tirar o fôlego e um mistério que não para, acabei superando os detalhes mais perturbadores para assistir a história.
            E a história, por si só, não é fácil. Saindo de uma trilogia de livros que já haviam sido adaptados parra o cinema, acho que o primeiro grande desafio era simplesmente afastar a cabeça das pessoas do Hopkins, que fez a adaptação de cinema O silêncio dos inocentes e vender esse novo contexto. Aliás, a adaptação foi ainda mais complicada porque, por conta dos direitos autorais, nem todos os personagens do filme poderiam ser usados no livro. Mas enfim, a série te coloca na vida de Will Graham, um agente especial do F.B.I. que é capaz de pensar como os psicopatas e então pode desvendar crimes que ninguém mais consegue. Como esse trabalho não é simples, ele contrata o Hannibal para ser seu psiquiatra, e toda a série se desenvolve a partir do relacionamento entre esses dois homens quando Will começa a desvendar crimes.
            Acho que o ponto principal da série foi saber dosar a estranheza de todos os personagens em um contexto tão fora do comum, além de conseguir colocar alguns requintes de crueldade nos crimes que não são tão comuns na linguagem da televisão. Os personagens principais são extremamente bem construídos e atuados, o que faz com que toda aquela doidice que vemos seja crível. Do outro lado da faca, acho que o maior pecado da série consiste em insistir em alguns símbolos por tempo demais. Tudo bem que a série deveria ser vista mais aos poucos do que eu vi, mas acho que todo mundo cansa dos alces que são utilizados com frequência ao longo da temporada. E alguns efeitos especiais, como o que acontece com o fogo mais para o fim da temporada, são muito fora da realidade, e acabam distanciando o espectador.

            E a temporada vai evoluindo e fazendo com que você queira saber cada vez mais como toda a maluquice vai acabar (poderia dar exemplos das indagações, mas ao mesmo tempo não quero dar spoilers), chegando a um fim ao mesmo templo delirante e esclarecedor. Em poucas palavras, é uma série muito legal e autoral, que merece ser vista. Mas por quem tem o estômago forte.


Um brinde a mais uma série assistida.

Caça-Fantasmas, dirigido por Paul Feig (Ghostbusters)

Trailer: 
Fala do filme: “It was proved to be another publicity scam by these sad, lonely women who needs attention.” (“Foi provado que era somente outra ação de publicidade dessas mulheres tristes e solitárias que precisam de atenção.”)
Vale a pena: Como bem disse Taylor Swift, no auge de sua sabedoria teen: “the haters gonna hate” (“os odiadores irão odiar”), porque para mim o filme já vale a pena por uma simples coisa que chama representatividade. Com quatro mulheres protagonizando um remake de um filme com personagens principais homens, há uma maior representatividade de mulheres em papéis principais, e só isso já mostra como, felizmente, o nosso mundo está mudando (apesar que, com todos os ataques misóginos feitos ao filme pelo simples fato de quatro mulheres talentosas serem as estrelas mostra que ainda há muito caminho para percorrer). Mas bom, não basta colocar quatro mulheres atuando juntas sem química, mas nesse filme isso acontece. Elas funcionam muito bem juntas, são comediantes bem talentosas e que fazem com que o filme passe rapidinho aos olhos do espectador. Ele vale a pena por ter conseguido trazer uma franquia antiga de volta a vida, conservando os seus elementos mais clássicos, mas também conseguindo atualizar o que não cabia mais nos anos 2010. Ah, e as referências que são feitas aos anos 1980 são muito engraçadas.
Não vale a pena: O filme não é uma sequência direta dos filmes dos anos 1980, e somente faz menções indiretas e eles e homenageia os atores com participações pequenas, então ir esperando uma continuação super purista levará a uma certeira decepção. Só que o filme também mantém bastante o clima dos anos 1980, quando as temáticas eram no geral muito mais leves, os vilões mais fracos, as piadas mais bobinhas e inocentes, então também esperar o filme cult do universo também não vai funcionar. E olha, se alguém reclamar do protagonismo feminino no filme, tenho apenas duas palavras: CHORA MAIS.
Gostei? Sim, foi uma experiência divertida.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Bom, todas as pessoas que já assistiram aos filmes originais com certeza irão gostar das participações especiais que os atores têm nesse filme. Além disso, reparei que a temática de resraurante em Chinatown funciona completamente: desde a luminária que é um corpo de mulher japonesa até a mais óbvia aparência das janelas.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Em praticamente todos os cinemas.


Do que se trata o filme: Tudo começa quando uma renomada física percebe que um livro que escreveu quando era mais nova está novamente na internet, e como a temática é sobrenatural, ela se envergonha. Quando ela vai, decidida a pedir para sua co-autora para retirá-lo da Amazon, ela acaba formando um grupo de Caça-Fantasmas (notem que o livro realmente está disponível para venda na Amazon https://www.amazon.com/Ghosts-Our-Past-Figuratively-Paranormal/dp/1101906006


Eu super chamaria essas mulheres para a minha festa.

domingo, 10 de julho de 2016

Florence: quem é essa mulher?, dirigido por Stephen Frears (Florence Foster Jenkins)

Trailer: 
Fala do filme: “Do you like sandwiches?” “Yes.” “That’s good. Because Florence like sandwiches. And potatoes. On her parties, we have lots of both, and it’s good that you eat them well.” (“Você gosta de sanduíches?” “Sim.” “Que bom. Porque Florence gosta de sanduíches. E batatas. Nas suas festas, nós temos muito dos dois, e é bom que você coma veementemente.”)
Vale a pena: Saí desse filme em uma conversa com minha mãe sobre qual é a nossa concepção sobre a função do cinema. E pensei que para mim, a função número um é o simples entreter. Depois pode vir chocar, subverter, mas é necessário que no mínimo o filme faça o seu tempo passar mais rápido e que você não consiga desgrudar da tela do cinema. E para mim, esse filme consegue preencher muito bem essa função, tratando temas delicados de uma maneira tão leve e divertida que só após o seu término, pensando, você consegue perceber todas as suas nuances. É claro que ter um elenco com Meryl Streep, Hugh Grant e Simon Helberg (Howard do The big bang theory) é de grande ajuda, mas o desenvolvimento do filme também é rápido, sem deixar de se aprofundar um pouco mais na construção dos personagens. A atriz principal, no papel de Florence, está obviamente engraçadíssima, e isso é perceptível desde a primeira cena, mas o desempenho de Grant em um papel um pouco mais velho do que o galã clássico, e as caras impagáveis de Howard enquanto a Florence canta são bons destaques. Fiquei feliz e impressionada de ver a minha sala cheia, mas acho que é porque esse filme tem o belo apelo de conseguir fazer pessoas de todas as idades rirem. Destaque também para os figurinos e arte do filme, que mostram muito bem a opulência do mundo em que ela vivia.
Não vale a pena: Ir esperando uma coisa um pouco mais sombria, como é o filme Philomena, do mesmo diretor, que tem apenas alguns pontos de humor, seria bem complicado, pois os filmes têm atmosferas diferentes e a pessoa poderia acabar se desapontando. E também não é um filme super inovador, com altas técnicas diferentes ou um roteiro totalmente fora do normal: é um filme tecnicamente correto, e que conta a história que ele tem que contar com bastante humor, mas sem nenhum tipo de frescura.
Gostei? Sim, ri alto no cinema (algo que nunca faço).
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Teve dois: o primeiro é que o Cosmé mora em um beco com um pôster gigante do Louis Armstrong, bem alinhado com o clima do filme. O segundo, que no fim do filme, a notícia da capa do jornal Post mostra que já se está no fim da segunda guerra mundial.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Muitos cinemas.


Do que se trata o filme: Florence é uma mulher que herdou muito dinheiro de sua família e que gosta de usá-lo para ser um tipo de mecenas da música em Nova Iorque. No entanto, quando ela mesma decide ter aulas de canto e se apresentar, começa o desastre, porque ela não leva muito jeito para a coisa.
Do jeito que você me olha, vai dar namoro.

domingo, 3 de julho de 2016

Procurando Dory, dirigido por Andrew Stanton e Angus MacLane (Finding Dory)

Trailer: 
Fala do filme: “It seems like a lot of trouble to find some more fish. If I had short term memory loss, I would just swim off into the blue and forget everything.” “I don't wanna do that. I want my family.” “I mean, kid, I don't wanna anyone to worry about. You are lucky. No memories, no problems.” (“Parece trabalho demais só para achar mais peixes. Se eu tivesse perda de memória recente, eu só nadaria e esqueceria de tudo.” “Eu não quero fazer isso. Quero minha família.” “Bom, criança, eu não quero ninguém para me preocupar. Você é sortuda. Sem memórias, sem problemas.”)
Vale a pena: Ah, Pixar, como eu estava com saudades de um bom filme seu, com aquele tipo de sensibilidade que só você consegue colocar em animações, que as torna muito bonitas conseguindo evitar de ser melodramática. Acho que esse filme é uma das melhores sequencias da Pixar, mantendo a qualidade do original, de modo que quem gostou de Procurando Nemo vai gostar dessa continuação 13 anos tardia. A construção do passado da Dory que é feita no filme, e o modo que se mostra o seu problema de perda de memória recente são muito interessantes, e conseguem dar a profundidade necessária para ter um filme de 1:40hr sobre ela, sem a necessidade de ter se visto o filme anterior para entender esse. O filme vale tanto para maníacos pela Pixar como eu, quanto para famílias que queiram levar filhos não muito crianças, e para adultos e jovens adultos que queiram se divertir por quase duas horinhas. Na sala que eu fui, inclusive, havia um público mais velho, na faixa dos 60 anos.
Não vale a pena: Por mais que seja uma animação muito bacana, é óbvio que não adianta nem ver se você não tem paciência para esse tipo de filme, ou quer ver um grande drama existencial. Além disso, como eu não tenho filhos, eu não sei, mas acho que ele não é interessante para crianças muito pequenas. Como há a necessidade da assimilação de que a Dory tem um problema real, e há uma complexidade da personagem, não acho que pequenos vão gostar ou entender (além de ele não ter músicas, algo pelo que a Disney é bem conhecida, mas como se trata da Disney-Pixar, não acontece).
Gostei? 13 anos de espera. Se fosse para não gostar, eu ia ter que fazer um textão na página da Pixar!
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Como todo bom filme da Pixar, tem várias coisinhas escondidas, como o furgão de entrega de pizza, o paralelo da história com as 20 mil léguas submarinas. Mas o que eu gostei mesmo foi o detalhe no fim dos créditos: Para as nossas famílias, de todos os tipos. Vocês nos fazem continuar a nadar.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Muitos cinemas (mas a dica é que na CineSala está passando num horário bom legendado).


Do que se trata o filme: Após Dory ajudar Marlin a atravessar o oceano para achar o seu filho, Nemo, Dory começa a se perguntar sobre a existência de sua família. E apesar de seus problemas de perda de memória recente, ela começa a sua própria jornada em busca da família.

Como a Pixar faz peixes ficarem fofos?