Se você se assutou, NÃO ASSISTA À TEMPORADA
Teve texto
sobre as primeiras temporadas? Não! Tem problema? Também não! Para quem não
conhece, AHS (vou chamar assim porque o nome é muito longo para ficar
repetindo) é uma daquelas séries em que uma temporada não depende da outra
(apesar de, de vez em quando, elas terem algumas referências às outras, mas que
não causam problemas de entendimento). A maioria dos atores continua a mesma,
mas as histórias são completamente diferentes, tendo apenas o ar sombrio em
comum. Se as outras temporadas (casa mal assombrada, hospício e ninho de
bruxas) já moravam no meu coração, essa, de um circo de bizarrices, continuou
me cativando.
A premissa
dessa temporada começa bem simples, mas o problema vai tomando tantos vieses e
os conflitos vão mudando tanto ao longo da temporada, que se torna bastante
difícil falar sobre ela sem dar muitos spoilers. No começo, temos praticamente três
núcleos: o circo, com cada “aberração” tendo os seus próprios conflitos
(normalmente ligados ao que as torna diferentes), os vendedores, que querem ir
até esse circo para matar e vender os corpos das “aberrações”, e o palhaço
mauzão que aprisiona crianças (sim, eu tenho aflição de palhaço, e sim, eu
sofri muito com essa parte). A graça está em que, quando tudo acaba, todas essas
questões iniciais já são irrelevantes, porque essa temporada em especial segue
um ritmo totalmente frenético até chegar ao seu fim. Se você não gosta de
surpresas, ou de se sentir um pouco enganado pelo que está vendo, eu recomendo
que passe longe dessa temporada em específico.
O que eu acho
realmente incrível nessa série são os atores. A cada temporada, com os papéis
mudando drasticamente, eles continuam incríveis. Sou uma eterna fã da Jessica
Lange, acho tudo o que ela faz, inclusive essa temporada, incrível, e jamais
vou esquecer dela falando “Eu sempre venço contra o macho patriarcal” na
segunda temporada. Fico triste de saber que eu não vou vê-la na quinta
temporada. Quanto a Sarah Paulson e Evan Peters, que também são grandes
favoritos, acho que essa temporada foi muito boa para eles. Para Paulson na
medida em que, ao interpretar duas cabeças com pensamentos distintos, ela teve
que colocar suas habilidades de atriz à prova, e para Peters porque ele
conseguiu trazer uma sensibilidade ao garoto lagosta que provavelmente não
seria qualquer um que conseguiria fazer.
Um ponto muito
controverso sobre a temporada é que ela já tem alguns números musicais, e houve
uma reclamação geral de que as músicas são posteriores à época em que se passa
a série. Mas de verdade, reclamar que uma série que não tem qualquer
comprometimento está cantando Bowie em um circo de aberrações? Tenho certeza
que ele amou a homenagem...
No geral, achei
uma temporada bem forte. Os personagens conseguem te envolver tanto nos seus conflitos
internos quanto nos conflitos mais gerais e externos, a sua atenção fica
completamente na série, com a dúvida sobre qual fim ela vai levar (e juro que
se alguém previu o que ia acontecer, a pessoa tem que me explicar passo a passo
como chegou nessa conclusão). O tom assustador é, para mim, mais presente do
que na temporada anterior, até porque ela serve para comprovar que todos os
monstros são humanos, mas para mim esse é seu maior acerto de roteiro. A
temporada termina lindamente, com uma canção.






