quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Trumbo: Lista Negra, dirigido por Jay Roach (Trumbo)

Trailer: 
Fala do filme: “Friends? What friends? Who the hell has the luxury of friends? I've got allies and enemies. There's no room for anything else.”   (“Amigos? Que amigos? Quem tem o luxo de amigos? Eu tenho aliados e inimigos. Não há espaço para nada mais.”)
Vale a pena: Eu adoro assistir filmes que têm alguma inspiração no próprio universo do cinema, e gosto mais ainda quando eles tratam do processo de fazer filmes, então se você também é fã de um 9 ½, A Rosa Púrpura do Cairo, pode ficar feliz pelo menos com a temática do filme. Além disso, a história real das listas negras de Hollywood e todo o caos que elas causaram é um assunto interessante por si só, e fazer um filme que conte a parte de quem sofreu realmente com ela é uma maneira diferente da comum, o que deixa o filme interessante. O filme vale a pena pela boa adaptação de uma história interessante da vida real que é bem atuada e bem dirigida, gerando um bom filme. Nos últimos tempos, ando reclamando muito que as adaptações de histórias de vida que vi têm alterado muito a realidade, e pelo que li, esse filme foge desse problema, tentando ser fidedigno, e acho interessante que ele não endeusa totalmente o Dalton Trumbo, deixando bem claros também quais são seus defeitos.
Não vale a pena: O filme tem um foco bastante na política envolvida nas listas negras de Hollywood, então para quem não tem interesse nem na história do cinema nem na história dos Estados Unidos, não vejo muitos motivos pelos quais assistir. Também não acho que seja um filme para quem goste de um desenvolvimento rápido do roteiro, cheio de cenas de ação, porque ele tem um ritmo mais lento, com o desenvolvimento dos personagens demorando um pouco.
Gostei? Sim!
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Não precisa ser um gênio para reparar, mas câncer de pulmão? Sério, White?
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Sim, ele está passando em uma sessão em São Paulo (pois é.).


Do que se trata o filme: Trata-se da história razoavelmente verídica de Dalton Trumbo, um roteirista comunista que teve o desprazer de viver na época em que comunistas eram caçados em Hollywood, e as peripécias que ele precisa fazer para sobreviver.

Queria bater nessa cara em Breaking Bad, continuei querendo bater um poquinho nesse filme.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ex-Machina: Instinto Artificial, dirigido por Alex Garland (Ex Machina)

Trailer: 
Fala do filme: “Although? Is there a qualification to being impressed?” “No, there’s no qualification to her. Is just that in a Turing test, the machine should be hidden from the tester.” “No, no, we’re way past that. If I hide Ava from you so you heard her voice, she would pass for human. The real test is to show you that she’s a robot and then see if you still fell she has counciousness.” “Yeah, I think you’re probably right.”   (“Ainda que? Existe alguma objeção a ficar impressionado?” “Não, não há nenhuma objeção a ela. É só que, em um teste de Turing, a máquina deve ser escondida do testador.” “Não, a gente passou disso. Se eu esconder a Ava de você e você ouvir a sua voz, ela se passará por humana. O teste real é que eu te mostre que ela é um robô e mesmo assim você ainda sentir que ela tem consciência.” “É, você provavelmente está certo.”)
Vale a pena: Vou dizer que fazia muito tempo que eu não assistia a um filme com um roteiro tão complexo, com as palavras tão bem encaixadas e bem escolhidas quanto esse, de modo que ele já começa a valer a pena por isso. Além disso, quando se soma a esse bom roteiro uma direção no mínimo interessante e inteligente, que coloca pequenas pistas sobre o que vai acontecer em seguida em todo o filme, com detalhes perspicazes, aí sabemos que estamos falando do tipo de filme que eu costumo gostar. Pode-se ainda somar a isso que as atuações não fazem feio perante tudo isso, e também que seu conflito principal é de certa forma tão mascarado que você tem que prestar muita atenção para não perder uma ceninha que pode mudar tudo, e, para mim, temos todos os motivos pelos quais esse filme vale a pena.
Não vale a pena: Se só de ler os motivos pelo qual o filme valeu a pena para mim você já sentiu um pouco de sono, eu diria que ele não deve valer a pena para você. Para quem não gosta de temas relacionados à ficção científica, também não acho que valha a pena porque vai faltar interesse para acabar o filme. Além disso, acho que é bem claro que não é um daqueles filmes para pegar na metade da sessão da tarde, porque para entende-lo totalmente eu acho que precisaria até vê-lo novamente.
Gostei? Sim, esse é exatamente meu tipo de filme.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Estava assistindo o filme tranquilamente na minha casa, quando de repente eu ouço no meio do filme a frase “Who are you gonna call?”. E a idiota, sozinha, responde na sala, “Ghostbusters”. E essa era realmente a fala do filme. Ok, mas falando algo mais útil e significativo: alguém mais notou quando a Ava pisca?
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Não.

Do que se trata o filme: Um homem ganha um concurso e consegue ir para a casa de um milionário para trabalhar para ele, testando uma inteligência artificial que ele criou, para definir se ela é ou não inovadora.

Aquele momento do filme em que você para e pensa: "Calma, como eu cheguei aqui, mesmo?"

domingo, 21 de fevereiro de 2016

O Quarto de Jack, dirigido por Lenny Abrahamson (Room)

Trailer: 
Fala do filme: “I've been in the world 37 hours. I've seen pancakes, and a stair, and birds, and windows, and hundreds of cars. And clouds, and police, and doctors, and grandma and grandpa. But Ma says they don't live together in the hammock house anymore. Grandma lives there with her friend Leo now. And Grandpa lives far away. I've seen persons with different faces, and bigness, and smells, talking all together. The world's like all TV planets on at the same time, so I don't know which way to look and listen. There's doors and... more doors. And behind all the doors, there's another inside, and another outside. And things happen, happen, HAPPENING. It never stops. Plus, the world's always changing brightness, and hotness. And there's invisible germs floating everywhere. When I was small, I only knew small things. But now I'm five, I know EVERYTHING.” (“Eu estou no mundo há 37 horas. Eu vi panquecas, e escadas, e pássaros, e janelas, e centenas de carros. E nuvens, e polícia, e doutores, e a vovó e o vovô. Mas a Mãe disse que eles não vivem mais na casa com a rede juntos. A vovó mora com seu amigo Leo agora. E o vovô mora longe. Eu vi pessoas com caras diferentes, e grandezas, e cheiros, todas falando juntas. O mundo é como todas as tevês do mundo ao mesmo tempo, então eu não sei para onde olhar e ouvir. Há portas e ais portas. E atrás das portas, há outro interior, e outro exterior. E as coisas acontecem, acontecem, ACONTECENDO. E nunca para. E mais, o mundo está sempre mudando de luminosidade e quentura. E há vermes invisíveis voando em todos os lugares. Quando eu era pequeno, eu só sabia de coisas pequenas. Mas agora eu tenho cinco, e sei de TUDO.”)
Vale a pena: O filme vale a pena por trazer um roteiro muito bem pensado, com um drama muito pesado conseguindo se trazer como mais leve simplesmente pela sua sensibilidade e boa escolha de palavras. É um filme que vale a pena para quem quer sair do cinema ao mesmo tempo que tenso, também um pouco maravilhado. Os conflitos que o filme levanta são muito complexos, como quanto à criação de uma criança em cativeiro, como é a adaptação de uma família após anos de presa, como é o comportamento de uma criança diante de uma realidade nova, e o modo que essas reflexões são trazidas pelo filme, principalmente através da visão do Jack, dão uma visão muito nova, fresca, e bonita, seja o resultado final. Vale a pena pelas atuações, principalmente do Jacob Tremblay, que rouba completamente a cena, e pelo simples fato de ele não ser um blockbuster, mas um filme com um elenco enxuto e que consegue trazer o roteiro ao seu máximo.
Não vale a pena: A carga de drama do filme é bastante alta, e eu não recomendaria ele para ninguém que passou por situações de cativeiro pelo simples fato de que ele pode ser bastante traumático. Ele também não é, claramente, aquele filme despretensioso, para ver em uma tarde tranquila apenas para relaxar, então se a ideia é um entretenimento tranquilo, posso recomendar que esse não seja o escolhido.
Gostei? Sim, e inclusive é um dos meus favoritos para o Oscar.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Considerando toda a ideia da Joy de trazer o máximo de normalidade possível a aquele ambiente hostil, acho um detalhe legal perceber que durante todo o tempo de cativeiro ela continua usando um anel e um colar, algo que ela não precisaria fazer, mas que dá essa sensação de que as coisas estão menos piores do que a realidade. Ah, e também o fato de o Jacob dizer que está em um PAÍS chamado América (ai, Estados Unidos, por que essa mania?).
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Muitas e muitas sessões de cinema.


Do que se trata o filme: É uma história fictícia de uma mãe e seu filho que são mantidos em cativeiro por muitos anos, e que conseguem fugir. Trata tanto de toda a adaptação da mãe àquele ambiente hostil para a criança, como da readaptação que ambos têm que fazer ao mundo.

Jacob dá o show, mas a Brie também arrasa.

Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom, dirigido por Evgeny Afineevsky

Trailer: 
Fala do filme: “Não consigo acreditar que após tantas guerras no mundo, que ainda resolvamos nossos problemas matando uns aos outros.” (me desculpem, eu não sei falar ucraniano, então não coloquei o original.)
Vale a pena: O primeiro motivo para esse documentário valer a pena é o fato de ele ser extremamente didático, da maneira que se espera normalmente de um documentário, e esclarecer de uma maneira bastante escolar tudo o que aconteceu na Ucrânia em 2013/14, com ordem cronológica, uma tentativa de mostrar diversos pontos de vista, infográficos, tudo o que se pode esperar. Além disso, o que aconteceu na época foi muito mal noticiado no Brasil, o que torna esse método bem didático ainda mais esclarecedor. É um documentário que vale a pena para quem quer entender mais sobre o assunto, mas que também esteja disposto a assistir algumas cenas mais pesadas de violência policial, mortes. É interessante exatamente por mostrar uma realidade tão distante fisicamente do Brasil, mas que de vez em quando também é tão condizente com a violência policial existe aqui que até assusta.
Não vale a pena: O primeiro motivo que consigo pensar para alguém não querer ver o filme é o fato de ele ter as muitas cenas pesadas de violência policial, tiros, pancadaria, mortes, que são uma coisa que nem todo mundo está disposto a ver no domingo de manhã. Além disso, por ele ser bem informativo, acho que talvez ele seja um pouco cansativo para quem já conhecia a história da Ucrânia melhor do que eu, de forma que não acho que ele seja um documentário aconselhável para pessoas mais peritas em política internacional do que eu.
Gostei? Sim, mas com tanto documentário bom, não foi meu favorito.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: O que mais me impressionou nesse documentário foi pensar o quanto algumas questões se tornaram globais, não importando qual o governo, qual a população, alguns problemas simplesmente persistem. Fiquei muito perplexa pensando na situação da polícia militar brasileira, o fato de muitos dos métodos violentos ucranianos serem parecidos com os "nossos", mas estarmos tão acostumados a isso que não temos mais grandes atos contra ela. Além disso, fiquei bastante impressionada com o modo que as coisas foram filmadas: simplesmente não consigo imaginar cinegrafistas no meio de uma bagunça dessas no Brasil conseguindo filmar aquelas cenas terríveis sem ninguém destruir suas câmeras depois.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Dá-lhe Netflix.


Do que se trata o filme: É um documentário explicando melhor os eventos no final de 2013 e início de 2014 na Ucrânia, quando o então presidente se afastou da União Européia em relação à Rússia, e a população tomou as ruas para tentar mudar o rumo do seu país.

Aquelas cenas absolutamente surreais

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Apenas uma vez, dirigido por John Carney (Once)

Trailer: 
Fala do filme: “How come you don't play during daytime? I see you here everyday.”
“During the daytime people would want to hear songs that they know, just songs that they recognize. I play these song at night or I wouldn't make any money. People wouldn't listen.” “I listen.” (“Mas por que você não toca durante o dia? Eu te vejo aqui todo dia.” “Durante o dia, as pessoas querem ouvir músicas que elas conheçam, que reconheçam. Eu toco essas músicas a noite, ou eu não ganharia dinheiro. As pessoas não escutariam.” “Eu escuto.”
Vale a pena: Pessoas com uma boa viagem à Irlanda e lembranças nostálgicas regadas a Guiness e música de rua no mínimo abrirão um belo de um sorriso com muitas das cenas do filme. Ele segue bem à risca a ideia de um filme independente, com um naturalismo que de vez em quando é incrível (acho a primeira cena do piano realmente bonita) e que de vez em quando, para mim, é um pouco exagerado (câmeras muito trêmulas, principalmente), então acho que para o filme valer a pena, a pessoa tem que já ter na cabeça que não será uma superprodução, mas sim um filme bem alternativo que conseguiu vencer um Oscar. É uma história de amor fofa, com atuações no mínimo interessantes, então para quem quer dar aquela choradinha pelo amor entregue aos deuses (note, apenas uma choradinha, não um berreiro ao estilo Alabama Monroe), também é uma boa opção.
Não vale a pena: No primeiro ponto que poderia “enganar” o espectador, já estão todos avisados: apesar de ter vencido a um Oscar, ele não é uma superprodução, e qualquer pessoa que for vê-lo com essa mentalidade não vai gostar. Eu esperava um pouco mais do potencial fofura/desastre do romance entre um irlandês e uma imigrante, então acho que também vale dar a dica de que há, sim, uma história de amor, mas não é daquelas que você tem vontade de vivenciar, ou algo para assistir e entender melhor a essência de todos os relacionamentos.
Gostei? Médio. Estava a tanto tempo na minha lista do Netflix que eu esperava mais.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Faz bastante sentido que um menino tão apegado a um amor adolescente que continua cantando sobre isso quando adulto passe o filme inteiro usando as mesmas pulseiras e colar. Achei um bom toque sobre o personagem.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Netflix é o meu rei.
Tema do desafio cinéfilo: Um filme que comece com a mesma letra que o seu nome (não, meu nome não é Carol).


Do que se trata o filme: Trata-se da história do descobrimento de uma amizade/amor entre um rapaz irlandês que ajuda seu pai a consertar aspiradores de pó enquanto tenta ser um músico noturno em Dublin e uma estrangeira que busca um emprego e uma boa vida para sua filha (muito fofa) na mesma cidade.

Irlanda e suas maravilhas

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A Ponte dos Espiões, dirigido por Steven Spierlberg (The Bridge of Spies)

Trailer: 
Fala do filme: “Are you nervous?” “Would it help?” (“Você está nervoso?” “Isso ajudaria?”). (Sei que a frase em si não tem nada demais, mas o modo que ela é usada recorrentemente no roteiro foi interessante)
Vale a pena: Bom, é um típico filme do Spielberg, muito bonito, bem feito, bem atuado, com o enredo interessante, então geralmente vale a pena simplesmente por isso. O filme tem um ar político legal, que é entregue com um ar estranhamente contemporâneo apesar de se passar na época da guerra fria, e achei essa sensação de contemporaneidade algo que diferencia o filme dos muitos outros sobre a época. A construção dos personagens faz com que você sinta empatia por eles, o que é ajudado pelas atuações, faz com que as duas horas e pouco do filme passem rápido. O roteiro, baseado em uma história real, é o ponto mais forte. Bem-estruturado, ele faz com que todo o resto do filme flua bem. Vale a pena para quem tem interesse em temas histórico-políticos, e queira ver um longo filme.
Não vale a pena: Bom, ainda é um filme do Spielberg, que é bem parecido com todos os outros filmes do Spielberg. Não é muito diferente dos outros, então se você não gosta deles, também não gostará desse. Ele é um filme que exige uma boa concentração para entender o roteiro, então também não vale a pena para assistir de maneira muito descompromissada. Por fim, para quem não tem interesse na guerra fria, não faz muito sentido assistir.
Gostei? Gostei, mas não foi dos meus preferidos.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Não achei nenhum detalhe arrebatador nesse filme, mas quando fui fazer a pesquisa básica antes de escrever aqui, percebi que ele tem muitos erros históricos. De verdade, com um filme com alto orçamento, custa tanto fazer as pesquisas direito?
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Nesse exato momento, em nenhum dos dois.

Do que se trata o filme: Quando um advogado americano é convidado a advogar em defesa de um possível espião russo, ele não imagina que a sua vida irá dar uma volta de 180º e se verá envolvido em negociações internacionais relacionadas a prisioneiros da Guerra Fria.

Uma boa imagem

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A garota dinamarquesa, dirigido por Tom Hooper (The Danish Girl)

Trailer:
Fala do filme: “I need to see Einar.” “Let me help, please?” “I need my husband, can you get him?” “I can’t.” “I need to talk to my husband, and I need to hold my husband. Can you at least try?” “I’m sorry.” (“Eu preciso ver o Einar.” “Posso ajudar, por favor?” “Eu preciso do meu marido, posso ficar com ele?” “Eu não posso.” “Eu preciso falar com o meu marido, e eu preciso estar com ele. Você pode ao menos tentar?” “Desculpe.”).
Vale a pena: Vivemos em uma era de muita dificuldade sobre falar sobre pessoas trans, então acho que no mínimo o filme merece ser visto por trazer essa discussão a um público maior e conseguir sensibilizar mais pessoas, trazer mais visibilidade a elas. Acho que o filme vale a pena exatamente por ter uma sensibilidade que consegue mostrar o conflito interno da Lili, a dificuldade enfrentada em uma época ainda mais complicada que hoje, o desconforto e sofrimento que a descoberta de ser trans lhe causou e às pessoas ao seu redor, e ao mesmo tempo como o amor e a amizade são extremamente importantes. Com algumas cenas maravilhosas da Dinamarca que me fizeram ter vontade de ir para lá, misturado com boas atuações, o filme se torna bonito, triste, e um pequeno tapa na cara com luva de pelica. É um bom filme para causar reflexões, ainda mais pensando que esse foi um caso tão antigo, e ainda temos muitas pessoas trans morrendo todos os dias no mundo por conta de sua identidade de gênero.
Não vale a pena: Para quem acha que ideologias de gênero e militância são baboseira, acho que o filme não vai acrescentar muito, mas não custa ver, vai que te ajuda a entender uma coisa ou outra. Além disso, acho que o filme não vale a pena para quem espera um desenvolvimento rápido, algo muito dinâmico, um filme tranquilo para passar uma tarde (ainda que uma das minhas poucas críticas é que, talvez por causa do pouco tempo que tem um filme, o desenvolvimento da Lili acabe sendo um pouco rápido demais). Quem não quer pensar, pelo menos um pouco, não deve vê-lo.
Gostei? Sim!
Detalhe que provavelmente só eu reparei: De novo, o que reparei veio de um pouco de pesquisa antes de ver o filme. Assim como no caso do filme do Jobs, nesse filme apesar de haver uma inspiração no que aconteceu de verdade, algumas coisas não são exatamente como retratadas: a Gerda era bissexual, provavelmente a Lili não foi a primeira mulher a realizar a cirurgia de mudança de sexo, as pinturas foram alteradas para parecer mais com os atores, apesar de tentar dar visibilidade às pessoas trans, o papel principal não foi oferecido oficialmente a nenhuma mulher trans, e há poucos papeis secundários que são representados por pessoas trans.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Cinemas.

Do que se trata o filme: Gerda e Einar vivem um casamento feliz, apesar de algumas decepções relacionadas à natalidade e a falta de sucesso de Gerda como pintora. Mas toda essa situação se altera quando Einar se descobre uma mulher transexual.

Não queria deixar a Vikander de lado da foto, que ela também está incrível no filme,

Deadpool, dirigido por Tim Miller (Deadpool)

Trailer: 
Fala do filme: “You're probably thinking "This is a superhero movie, but that guy in the suit just turned that other guy into a fucking kebab." Surprise, this is a different kind of superhero story.” (“Você provavelmente está pensando, ‘Isso é um filme de super-herói, mas aquele cara na fantasia está fazendo um kebab com o outro’. Surpresa, esse é um tipo diferente de filme de super-herói.”).
Vale a pena: Tenho que admitir que quando penso em filme de super-herói com o Ryan Reynolds, eu simplesmente fico um pouco assustada e com vontade de fugir (obrigada, Lanterna Verde). No entanto, podemos ficar tranquilos que esse filme pelo menos é melhor! O filme vale a pena para quem gosta de um humor bem escrachado e de conotação sexual, e ele não vai decepcionar quem achou engraçados os teaser e trailers do filme até agora. Ele vale a pena exatamente por esse espírito de não se levar tão a sério quanto os maiores blockbusters da Marvel, tendo um bom senso de humor autodepreciativo, cenas de quebras de parede (que eu tenho que admitir que adoro), e nenhuma vontade, mesmo, de se levar a sério. Ah, e também achei bem legal que ele faz muitas piadas com os vários universos da Marvel, com participações do Stan Lee (óbvio) e alguns X-men.
Não vale a pena: A dica é: assista alguns dos materiais de divulgação, se você achar eles legais e engraçados, o filme provavelmente valerá a pena, e se não, ele com certeza não valerá. Não vale a pena para quem vai buscando um filme que muda vidas, nem quem está atrás de um super-herói convencional. Nesse caso, também acho que seria interessante que a classificação indicativa de 16 anos seja respeitada, que o filme é meio pesado mesmo.
Gostei? Apesar de não conhecer nada do super-herói antes do filme, eu gostei. Acho que ele tinha potencial de ser um pouco mais adulto, mas gostei.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: O bar que tem a tábua de apostas de morte me pareceu um bar muito divertido, apesar de assustador. Toda hora está tocando música boa, a cerveja parece gelada, e ninguém paga as contas.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Cinemas.


Do que se trata o filme: Um homem está com câncer terminal e tem a opção de aceitar ou de entrar em um programa para tentar gerar uma mutação que cure o câncer. Todo o resto do filme vem da sua escolha pela segunda opção, que acaba o desfigurando. 

Pelo menos o marketing do filme soube tirar o melhor proveito do seu humor.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

As memórias de Marnie, dirigido por Hiromasa Yonebayashi (Omoide no Mânî)

Trailer: 
Fala do filme: “Agora os garotos da vila usam para pregar peças. Dizem que há fantasmas lá.” “Querido, por favor... Ele ama histórias do tipo”. “Melhor ficar longe de lá.”
Vale a pena: Acho incrível observar como as animações japonesas que chegam a um determinado sucesso são bonitas. Parece que cada quadro que você parar vai ser uma pintura diferente, incrivelmente detalhada e linda. Assim, no mínimo recomendo o filme para quem gosta de apreciar belas cenas. Além disso, o filme tem uma temática de amadurecimento que não é incomum em animações, mas devo dizer que a sensibilidade com a qual o tema é trabalhado durante o filme é um grande diferencial, e ele vale a pena por isso. Por fim, também acho que ele valha a pena para quem gosta de animações e não conhece muitas animações japonesas, porque muitas vezes elas têm significados culturais mais profundos, e nós ocidentais acabamos não compreendendo elas corretamente. Como essa tem um tema mais geral, ela acaba se tornando mais fácil de compreender. E bom, dizem que é o último filme do Estúdio Ghibli, concorrendo ao Oscar, então acho sempre bom ver.
Não vale a pena: Bom, não é um filme que valha a pena para quem quer assistir uma animação super animada e feliz, com músicas e alegria no melhor estilo Disney. Esse filme tem um tom bem mais melancólico, que é muito bonito, mas que não vale a pena para quem está triste e querendo se animar. Além disso, para quem está acostumado às animações japonesas, talvez esse filme pareça um pouco mais simples que o usual, por conta dessa temática menos mitológica e mais universal.
Gostei? Sim, mas devo admitir que me senti um pouco deprimida quando ele acabou.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Não sou grande conhecedora dos hábitos japoneses, mas achei interessante que mesmo com tudo escrito em japonês, o HB do lápis de desenho ainda seja escrito da maneira ocidental. Além disso, achei bem bonitinha a maneira com que os olhos de Anna vão mudando de tonalidade ao longo do filme, de acordo com suas emoções.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Não.


Do que se trata o filme: Anna é uma garota adotiva que tem sérias dificuldades em se adaptar. Ela é enviada pela sua família para uma cidade no interior, onde deve se curar de sua asma. Mas lá ela conhece Marnie, e com a menina aprende sobre a amizade e o amor.

Um pouco do visual maravilhoso do filme

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Steve Jobs, dirigido por Danny Boyle (Steve Jobs)

Trailer: 
Fala do filme: "What do you do? You're not an engineer. You're not a designer. You can't put a hammer to a nail. I built the circuit board! The graphical interface was stolen! So how come ten times in a day I read Steve Jobs is a genius? What do you do?.” “Musicians play their instruments. I play the orchestra.” (“O que você faz? Você não é um engenheiro. Você não é um designer. Você não consegue martelas um prego. Eu construí o circuito! A interface gráfica foi roubada! Então, como é possível que dez vezes ao dia eu leio que o Steve Jobs é um gênio? O que você faz?” “Músicos tocam os seus instrumentos. Eu toco a orquestra.”). Eu juro que eu escrevo isso antes de selecionar o trailer, enquanto vejo o filme.
Vale a pena: Olha, desde a morte do Steve Jobs, mais de um filme foi lançado sobre a sua história, e eu devo dizer que dentre eles, esse foi o que eu mais gostei. Acho que o filme vale a pena para mostrar uma faceta um pouco menos endeusada e marcada por excentricidades de Jobs. O filme mostra um pouco sobre o modo que ele gostava de liderar, que não é exatamente o meu modo favorito, então achei interessante exatamente por não haver um endeusamento dele. O filme vale a pena também por trazer uma estrutura bastante diferente: se passa em três momentos decisivos da carreira dele, com flashbacks e flashforwards fazendo as ligações entre eles. Acho que é um filme que vale a pena para pessoas que se interessam por esse meio corporativo, por essa questão de desmistificação, e para quem quer um filme que entretenha, porque ele tem um roteiro interessante, boas atuações, boa trilha sonora.
Não vale a pena: Acho que o filme não vale a pena para quem gostou de Jobs, com o Ashton Kutcher, pois não é nada disso que esse filme irá mostrar. Além disso, quem vai com a mentalidade de que o cara simplesmente era o gênio dos negócios, pode ser um pouco complicado porque essa não é a sua única faceta que é mostrada. Por fim, eu particularmente não acho que o filme seja interessante para quem está buscando um filme com temática inovadora ou com um roteiro rebuscado, porque apesar de algumas cenas de discussão serem muito interessantes, há momentos em que o filme cai em clichês um pouco inexplicáveis.
Gostei? Achei interessante, mas ainda não consigo entender porque são feitos tantos filmes sobre o Steve Jobs, e porque nenhum deles tenta se manter mais fiel ao que aconteceu de verdade, ao invés de inventar momentos interessantes para a sua vida.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Como um perfeccionista, devo dizer que aquela luz verde de saída realmente incomoda a vista. Além disso, achei que há um pouco de negligência na adaptação histórica, havendo muitas peças de roupas que estão na moda atualmente sendo colocadas no início dos anos 2000.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Está em poucas sessões de cinema.


Do que se trata o filme: O filme parte de três momentos que foram muito importantes na vida de Steve Jobs para tentar explica-lo: o lançamento do Macintosh, de sua empresa NeXT e do iMac. Junto a isso, ele fala de suas relações interpessoais, mas não se esqueça que ele é um filme, e não um documentário, então ele tende a ser fantasioso em alguns momentos.

Apenas uma pequena maquiagem entre Macbeth e Jobs, não, Fassbender?

Cartel Land, dirigido por Matthew Heineman (Cartel Land)

Trailer: 
Fala do filme: "Back in the day, vigilante wasn’t a bad thing. Say that some bandits are coming to your town, the townspeople would get togheter and and defend their town. Now, when people hear that phrase, they think of vigilantes as people with white sheets over their heads, that fucking hang people on threes. It’s bullshit.” (“Antigamente, vigilante não era uma coisa ruim. Digamos que alguns bandidos estavam chegando em sua cidade, as pessoas iriam se reunir e defender a vidade. Agora, quando as pessoas ouvem essa frase, elas pensam em vigilantes como pessoas com lençóis brancos na cabeça, que enforcam pessoas em árvores. Isso é mentira.”)
Vale a pena: Falando em filmes indigestos, esse foi um documentário tão pesado que eu perdi quase a noite inteira de sono sonhando com coisas violentas. Ele vale a pena para quem gosta de documentários bem investigativos, com realidades bem diferentes das suas completamente escancaradas. Toda a equipe do filme merecia no mínimo uma medalha de mérito pela coragem de filmá-lo, porque olha, a coisa é bem tensa, viu? Muito diferente dos outros documentários que vi até agora para o Oscar, esse gera muito material novo e um pouco assustador, mostrando uma realidade de maneira quase que imparcial, mas permitindo que o espectador forme a sua opinião sobre essa confusão inteira na fronteira do México. Vale a pena para quem se interessa nesse assunto das brigas de fronteira, e também para quem gosta de conhecer realidades difíceis e perigosas, sair da zona de conforto.
Não vale a pena: Já comecei o texto dizendo que tive pesadelos com esse filme porque ele é realmente pesado. Cenas reais de violência civil e militar, todo tipo possível de intolerância, cenas com cabeças decapitadas, de tortura psicológica, de agressão, acontecem durante todo o filme, então não recomendo para quem tem qualquer tipo de sensibilidade à violência. Além disso, ele não vale a pena para quem quer assistir alguma coisa tranquila para passar o tempo, porque o assunto é complicado e cheio de nuances.
Gostei? No mínimo tenho que admirar a coragem e ousadia dos caras. Mas gostei, sim, do documentário.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Na verdade, nesse caso é mais uma reflexão: de onde aquele povo das autodefesas arranja tanta arma pesada? Pensar em como uma população tem acesso àquilo me assusta.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Sim, está no Netflix.


Do que se trata o filme: Essa é uma história difícil de explicar. O documentário se passa dos dois lados da fronteira México/EUA. Do lado dos EUA, ele mostra uma das milícias armadas que se formou para tentar expulsar possíveis imigrantes ou traficantes da entrada do país. Por outro lado, no México, ele mostra como a vida dos cartéis atormentou a população, e uma parte dela criou outra milícia armada para tentar se livrar dos cartéis. Aí, ele segue para a evolução dessas duas milícias.

Foto bem assustadora para já espantar o leitor desavisado

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O Regresso, dirigido por Alejandro González Iñárritu (The Revenant)

Trailer: 
Fala do filme: "They don’t hear your voice. They just see the colour of you face.” (“Eles não ouvem a sua voz. Eles só veem a cor da sua cara.”)
Vale a pena: Como é bem possível perceber pelo meu blog, eu sou uma boa fã do trabalho do Iñárritu. Admito que ele é um cara bastante prepotente, e que muitas vezes faz coisas que são simplesmente complicadas demais. Mas me apaixonei por esse filme. Ele vale a pena porque parte de um roteiro que não tem nada demais, baseado numa antiga história americana e é bem adaptado, e faz com que você simplesmente não consiga tirar os olhos da tela por mais de duas horas. São atuações incríveis, uma das fotografias mais bonitas da minha vida (e mais complicadas também, afinal, eles tentaram não utilizar iluminação além da natural por quase todo o filme), uma maquiagem impecável, uma continuidade que é bem complicada para filmes tão longos... Enfim, é todo um mix de coisas que faz com que o filme valha a pena para quem está interessado em ver algo tenso, difícil de digerir, e bem fora do comum.
Não vale a pena: Tem alguns fatores que podem levar pessoas a não gostarem tanto assim do filme, como o fato de ele ser tenso, difícil de digerir, fora do comum e bem longo. Também não vale a pena para qualquer pessoa com sensibilidade a filmes com consumo de carne crua, ataques de animais e coisas aflitivas no geral.
Gostei? Muito! Espero que seja de novo um dos grandes ganhadores do Oscar.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Achei um pequeno erro histórico: tem uma hora que o Di Caprio fecha o zíper da sua calça. Mas supostamente nessa época não tinham inventado os zíperes.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Praticamente em todas as salas em São Paulo.


Do que se trata o filme: Glass está orientando uma trupe de caçadores que produz peles para venda. No meio do caminho, eles são atacados por um grupo de índios, e precisam sobreviver para retornar à sua base, do outro lado das montanhas.

Leo Di Caprio no melhor estilo ursinho.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Amy, dirigido por Asif Kapadia (Amy)

Trailer: 
Fala do filme: "But I don’t think I’m gonna be famous. I don’t think I could handle it. I’d probably get mad, you know what I mean? I would go mad.” (“Mas eu não acho que vou ficar famosa. Eu não acho que eu conseguiria lidar com isso. Eu provavelmente ficaria louca, você me entende? Eu ficaria louca.”)
Vale a pena: Quando a Amy Winehouse morreu, pouco se falou sobre as causas reais da sua morte, e muito se falou sobre as influências que as outras pessoas tiveram sobre ela. Acho esse documentário bem legal porque eles tentam traçar uma linha do tempo de tudo o que deu errado, mostrando bastante a relação de causa e consequência das coisas que aconteceram em sua vida. Além disso, ele é interessante para mostrar um belo retrato da sociedade louca em que as celebridades vivem: as cobranças insanas sobre suas vidas profissionais (mesmo quando elas já lucram muito), a loucura que é ter paparazzis atrás de você o tempo inteiro, como a sua família pode tentar se aproveitar do seu sucesso. Duas coisas que eu achei legal nesse documentário são que ele não isenta ninguém de culpa sobre as próprias ações (o que eu não gostei no da Nina Simone), e que ele conseguiu pegar ótimas cenas gravadas por pessoas próximas à Amy, nas quais ela estava mais confortável, mostrando um lado bem diferente da cantora.
Não vale a pena: O filme tem um grande gatilho para quem está em uma luta com drogas, álcool ou bulimia, pois trata frequentemente desses assuntos. Além disso, uma crítica que eu tenho a fazer sobre ele é que seu tom é um pouco fatalista demais, parece que a Amy estava fadada a ter aquela morte aos 27 anos, algo em que eu não acredito. Ah, e claro, não vale a pena para quem não gosta de documentários, ou tinha antipatia pela Amy.
Gostei? Sim!
Detalhe que provavelmente só eu reparei: É impressionante como em duas horas de documentário, só tem umas 4 ou 5 cenas em que a Amy aparece sem nenhum delineador (desde os seus 14, 15 anos).
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Sim, ele está por tempo limitado no Netflix.
Tema do desafio cinéfilo: Um filme com apenas um nome no título. Aproveitei e matei dois coelhos com uma cajadada. 


Do que se trata o filme: De novo, é um documentário, do nascimento à morte, de uma cantora extremamente talentosa. Ele também leva bastante em conta as influências de outras pessoas na sua vida, e tenta explicar um pouco de seu trágico destino.

Amy Winehouse arrasando o look pouco carregado na praia

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

What happened, Miss Simone?, dirigido por Liz Garbus

Trailer: 
Fala do filme: "How does royalty stomp around in the mud and still walk with grace? Most people are afraid to be as honest as she lived—she was not at odds with the times. Times was at odds with her. If we were living in an environment that allowed us to be exactly who we are, you're always in congress with yourself. The challenge is how do we fit in in the world that we're around. Are we allowed to be exactly who we are?" (“Como a realeza pisoteia pela lama e continua andando com graça? A maioria das pessoas tem medo de ser tão honesta quanto ela viveu – ela não vivia no tempo correto. O tempo não estava de acordo com ela. Se nós estivéssemos vivendo em um ambiente que nos permitisse ser exatamente quem somos, você está sempre em acordo consigo mesmo. O desafio é como nos adaptamos no mundo em que vivemos. Somos permitidos a ser exatamente quem somos?”)
Vale a pena: Em primeiro lugar, esse é o primeiro ano que estou tentando acompanhar os Oscares completamente, então farei também comentários sobre os documentários. Bom, eu sou da teoria de que sempre se pode aprender algo novo, então a não ser que um documentário seja muito ruim, ao menos se aprende algo com ele. E esse em particular é muito interessante. Acho que o período de segregação racial é complexo, difícil, indigesto, mas deve ser estudado, para que se aprenda algo com ele. Assim, um documentário sobre a vida de uma mulher que foi um emblema desse momento é muito importante. O documentário vale a pena tanto pelo seu conteúdo engrandecedor quanto pelo belo trabalho documental, que consegue focar em vários pontos de vista para contar uma única história. Vale a pena também para mostrar como o Netflix está trabalhando para produzir bom conteúdo para os seus assinantes.
Não vale a pena: Racistas. Bom, não vale a para quem não tem interesse no gênero (acontece), no tema, ou na cantora. Eu tenho uma crítica mais pessoal ao documentário, por ele se alguma maneira de colocar em cima do muro quanto a toda a situação, não focando muito no relacionamento abusivo que ela vivia, não fazendo as conexões disso com o modo que ela se relacionou com sua filha. Achei que faltou um pouco de humanidade nesse sentido, o que pode incomodar outras pessoas. Ah, e para quem é sensível aos assuntos de racismo e abusividade, há momentos difíceis no filme sobre isso.
Gostei? Bastante.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Só uma quantidade muito limitada de pessoas consegue ficar tão incrivelmente maravilhosa em um turbante combinando com um vestido quanto ela.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Original do Netflix. 


Do que se trata o filme: É um documentário que trata da vida da Nina Simone, tangendo sua vida pessoal, suas músicas, sua militância, seus relacionamentos. Tudo contado por pessoas presentes em sua vida, e entrevistas concedidas antes de sua morte.

Como diria Aretha: Respect.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A trilogia da morte, dirigida por Alejandro González Iñárritu (Amores Brutos, 21 gramas e Babel( (Amores Perros, 21 grams e Babel)

Amores Brutos
Trailer:
Fala do filme: "Naquela época, eu pensei que havia coisas mais importantes do que estar com você e sua mãe. Eu queria tentar mudar o mundo, e aí compartilhar com você. Eu falhei, como você pode perceber.”
Vale a pena: É impressionante como um filme extremamente bem feito pode parecer atemporal, que é o que acontece com esse (exceto pelos celulares antigões). O filme vale a pena para todas as pessoas que gostam de uma boa trama, cheia de carga emocional e meandros, com atuações realmente de tirar o fôlego, e que está bem fora daquilo que estamos acostumados a ver no cinema norteamericano. Vale a pena para quem está querendo se adaptar a cinemas menos comerciais, também, porque apesar de ser ~diferentão~ ele ainda segue uma narrativa bem lógica, que não confunde o espectador. Além disso, considerado a hype que o diretor está atualmente, faz sentido conhecer melhor a sua obra e sua evolução.
Não vale a pena: Bom, se a ideia de um filme com três narrativas diferentes que se tangenciam não for a sua cara, com certeza nem esse filme nem essa trilogia agradarão. O filme também não é o melhor para quem gostou dos últimos filmes do diretor, e só quer assistir se for algo no mesmo sentido, porque ele é bem diferente.
Gostei? Sim, e muito.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: O filme é dos anos 2000, mas a Suzana bem que usa anéis, pulseiras e colares do tipo tatuagem, que eram muito famosos nos anos 1990 e que recentemente voltaram à moda.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Netflix. 

Do que se trata o filme: São três histórias sobre decisões de vida relacionadas ao amor que se cruzam em um acidente de carro. A primeira, sobre um rapaz apaixonado pela cunhada, a segunda sobre um homem que larga a esposa por uma modelo, e a terceira sobre um homem que realiza assassinatos por encomendas.

21 gramas
Trailer: 
Fala do filme: "You can help me die better. That's what you're saying. You can help me die BETTER. Well, I'm not gonna do that, okay? I'd rather die outside.” (“Você pode me ajudar a morrer de forma melhor. É isso que você está falando. Você pode ne ajudar a morrer MELHOR. Bom, eu não farei isso, certo? Eu prefiro morrer lá fora.”)
Vale a pena: Para quem gostou do Amores Brutos, a chance de gostar desse também é alta. Vale a pena para quem gosta dessa ideia de roteiro com vidas que se encontram, mas que topa um pouco mais de reflexão sobre o filme porque esse não é contado de maneira temporal (tem flashbacks para o futuro e o passado). Também vale a pena para as pessoas que têm algum tipo de preconceito com o espanhol, porque nesse filme são usados apenas diálogos em inglês (olha Hollywood chegando aí). Por fim, é um filme que vale a pena pela profundidade de seus personagens, que são tão interessantes por conta das performances de atores muito bons (não vou destacar só um, porque são todos).
Não vale a pena: Esse não é um bom filme para quem tem o estômago fraco ou está sensível, porque tem algumas cenas muito fortes, e outras muito tristes. É um filme pouco indicado para quem quer um filme leve e tranquilo, porque além disso, é necessário prestar bastante atenção e pensar sobre o filme, para que ele faça total sentido na sua cabeça.
Gostei? Gostei.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Se você é um ex´-alcóolatra loucão curado pela palavra de Jesus, o que você faz com suas orelhas furadas? Coloca brincos em formato de cruz, é claro!
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Infelizmente em nenhum dos dois. 

Do que se trata o filme: Novamente se trata da história de três famílias. A primeira, mais simples, começa com o dia-a-dia de um casal e suas duas filhas, sem grandes empecilhos. A segunda, de um casal no qual o marido tem uma doença no coração e está na fila de espera para um transplante. A terceira é sobre outra família, com um pai alcóolatra curado por Jesus, sua esposa, e seus dois filhos.

Babel

Trailer: 
Fala do filme: "You understand? We gotta call nine-one-one.” “Don’t leave me, please! (“Você entende? Precisamos ligar para a emergência.” “Não me abandone, por favor.”)
Vale a pena: Puts, o filme é um final perfeito para essa trilogia. Acho que ele vale a pena para quem gostou dos outros dois, e o que é interessante é que pelo fato de os filmes terem essa estrutura de haver tangência entre as histórias a partir de algum acidente, pode-se pensar que eles seriam muito parecidos, o que não acontece: achei todos bons, mas bem diferentes. Nesse caso, também é necessário estar disposto a pensar, pois é um filme longo, denso, e com aquela mesma estrutura. O filme vale a pena pela arte maravilhosa em tela, e também pelas atuações muito boas, que não deixam a desejar em momento algum. Acho sempre legal ressaltar também que como o filme se passa em diversos locais, é respeitado que cada lugar tenha a sua língua. Ou seja, mexicanos falam espanhol, árabes falam árabe e japoneses falam japonês.
Não vale a pena: Bom, como já dito, nenhum desses vale a pena para quem quer um filme intelectualmente tranquilo e sem cenas fortes. Ah, e uma coisa para quem está com preguiça: a trilogia como um todo não vale a pena para quem está com preguiça, porque cada filme tem mais de duas horas.
Gostei? Sim, gostei da trilogia como um todo.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Olha esses filmes lançando tendência. Se no primeiro são as gargantilhas, nesse tem os cabelos coloridos das japonesas. O que também é interessante de olhar na trilogia é como os filmes vão se tornando cada vez mais orientais, seja pela língua, seja pela técnica, ou pela fotografia (até os recados no fim do filme passam para o inglês).
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Sim, a última parte da trilogia está no Netflix. 


Do que se trata o filme: Agora são quatro histórias ao redor do globo que se interconectam: em um vilarejo árabe, uma família compra um rifle; uma menina japonesa surda-muda que tem dificuldades em se relacionar com meninos, que a tratam mal pela deficiência; um pai e uma mãe que estão de férias para reconstruir seu casamento; e seus filhos com a empregada, nos EUA.

E o Oscar vai para...