Fala do
filme: “Friends? What friends? Who the hell has the luxury of friends?
I've got allies and enemies. There's no room for anything else.” (“Amigos?
Que amigos? Quem tem o luxo de amigos? Eu tenho aliados e inimigos. Não há
espaço para nada mais.”)
Vale a
pena: Eu adoro assistir filmes que têm alguma inspiração no
próprio universo do cinema, e gosto mais ainda quando eles tratam do processo
de fazer filmes, então se você também é fã de um 9 ½, A Rosa Púrpura do Cairo,
pode ficar feliz pelo menos com a temática do filme. Além disso, a história
real das listas negras de Hollywood e todo o caos que elas causaram é um
assunto interessante por si só, e fazer um filme que conte a parte de quem
sofreu realmente com ela é uma maneira diferente da comum, o que deixa o filme
interessante. O filme vale a pena pela boa adaptação de uma história interessante
da vida real que é bem atuada e bem dirigida, gerando um bom filme. Nos últimos
tempos, ando reclamando muito que as adaptações de histórias de vida que vi têm
alterado muito a realidade, e pelo que li, esse filme foge desse problema,
tentando ser fidedigno, e acho interessante que ele não endeusa totalmente o
Dalton Trumbo, deixando bem claros também quais são seus defeitos.
Não vale
a pena: O filme tem um foco bastante na política envolvida nas listas
negras de Hollywood, então para quem não tem interesse nem na história do
cinema nem na história dos Estados Unidos, não vejo muitos motivos pelos quais
assistir. Também não acho que seja um filme para quem goste de um
desenvolvimento rápido do roteiro, cheio de cenas de ação, porque ele tem um
ritmo mais lento, com o desenvolvimento dos personagens demorando um pouco.
Gostei? Sim!
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Não precisa ser um gênio para
reparar, mas câncer de pulmão? Sério, White?
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Sim, ele está passando em uma
sessão em São Paulo (pois é.).
Do que se
trata o filme: Trata-se da história razoavelmente verídica de Dalton Trumbo,
um roteirista comunista que teve o desprazer de viver na época em que
comunistas eram caçados em Hollywood, e as peripécias que ele precisa fazer
para sobreviver.
Queria bater nessa cara em Breaking Bad, continuei querendo bater um poquinho nesse filme.
Fala do
filme: “Although? Is there a qualification to being impressed?” “No,
there’s no qualification to her. Is just that in a Turing test, the machine
should be hidden from the tester.” “No, no, we’re way past that. If I hide Ava
from you so you heard her voice, she would pass for human. The real test is to
show you that she’s a robot and then see if you still fell she has
counciousness.” “Yeah, I think you’re probably right.” (“Ainda
que? Existe alguma objeção a ficar impressionado?” “Não, não há nenhuma objeção
a ela. É só que, em um teste de Turing, a máquina deve ser escondida do
testador.” “Não, a gente passou disso. Se eu esconder a Ava de você e você
ouvir a sua voz, ela se passará por humana. O teste real é que eu te mostre que
ela é um robô e mesmo assim você ainda sentir que ela tem consciência.” “É,
você provavelmente está certo.”)
Vale a
pena: Vou dizer que fazia muito tempo que eu não assistia a um
filme com um roteiro tão complexo, com as palavras tão bem encaixadas e bem
escolhidas quanto esse, de modo que ele já começa a valer a pena por isso. Além
disso, quando se soma a esse bom roteiro uma direção no mínimo interessante e
inteligente, que coloca pequenas pistas sobre o que vai acontecer em seguida em
todo o filme, com detalhes perspicazes, aí sabemos que estamos falando do tipo
de filme que eu costumo gostar. Pode-se ainda somar a isso que as atuações não
fazem feio perante tudo isso, e também que seu conflito principal é de certa
forma tão mascarado que você tem que prestar muita atenção para não perder uma
ceninha que pode mudar tudo, e, para mim, temos todos os motivos pelos quais
esse filme vale a pena.
Não vale
a pena: Se só de ler os motivos pelo qual o filme valeu a pena para mim
você já sentiu um pouco de sono, eu diria que ele não deve valer a pena para
você. Para quem não gosta de temas relacionados à ficção científica, também não
acho que valha a pena porque vai faltar interesse para acabar o filme. Além
disso, acho que é bem claro que não é um daqueles filmes para pegar na metade
da sessão da tarde, porque para entende-lo totalmente eu acho que precisaria
até vê-lo novamente.
Gostei? Sim, esse
é exatamente meu tipo de filme.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Estava assistindo o filme
tranquilamente na minha casa, quando de repente eu ouço no meio do filme a
frase “Who are you gonna call?”. E a idiota, sozinha, responde na sala,
“Ghostbusters”. E essa era realmente a fala do filme. Ok, mas falando algo mais
útil e significativo: alguém mais notou quando a Ava pisca?
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Não.
Do que se
trata o filme: Um homem ganha um concurso e consegue ir para a casa de um
milionário para trabalhar para ele, testando uma inteligência artificial que
ele criou, para definir se ela é ou não inovadora.
Aquele momento do filme em que você para e pensa: "Calma, como eu cheguei aqui, mesmo?"
Fala do
filme: “I've been in the world 37 hours. I've seen pancakes, and a
stair, and birds, and windows, and hundreds of cars. And clouds, and police,
and doctors, and grandma and grandpa. But Ma says they don't live together in
the hammock house anymore. Grandma lives there with her friend Leo now. And
Grandpa lives far away. I've seen persons with different faces, and bigness,
and smells, talking all together. The world's like all TV planets on at the
same time, so I don't know which way to look and listen. There's doors and...
more doors. And behind all the doors, there's another inside, and another
outside. And things happen, happen, HAPPENING. It never stops. Plus, the
world's always changing brightness, and hotness. And there's invisible germs
floating everywhere. When I was small, I only knew small things. But now I'm
five, I know EVERYTHING.” (“Eu estou no mundo há 37 horas. Eu vi
panquecas, e escadas, e pássaros, e janelas, e centenas de carros. E nuvens, e
polícia, e doutores, e a vovó e o vovô. Mas a Mãe disse que eles não vivem mais
na casa com a rede juntos. A vovó mora com seu amigo Leo agora. E o vovô mora
longe. Eu vi pessoas com caras diferentes, e grandezas, e cheiros, todas
falando juntas. O mundo é como todas as tevês do mundo ao mesmo tempo, então eu
não sei para onde olhar e ouvir. Há portas e ais portas. E atrás das portas, há
outro interior, e outro exterior. E as coisas acontecem, acontecem,
ACONTECENDO. E nunca para. E mais, o mundo está sempre mudando de luminosidade
e quentura. E há vermes invisíveis voando em todos os lugares. Quando eu era
pequeno, eu só sabia de coisas pequenas. Mas agora eu tenho cinco, e sei de
TUDO.”)
Vale a
pena: O filme vale a pena por trazer um roteiro muito bem
pensado, com um drama muito pesado conseguindo se trazer como mais leve
simplesmente pela sua sensibilidade e boa escolha de palavras. É um filme que
vale a pena para quem quer sair do cinema ao mesmo tempo que tenso, também um
pouco maravilhado. Os conflitos que o filme levanta são muito complexos, como
quanto à criação de uma criança em cativeiro, como é a adaptação de uma família
após anos de presa, como é o comportamento de uma criança diante de uma
realidade nova, e o modo que essas reflexões são trazidas pelo filme, principalmente
através da visão do Jack, dão uma visão muito nova, fresca, e bonita, seja o
resultado final. Vale a pena pelas atuações, principalmente do Jacob Tremblay,
que rouba completamente a cena, e pelo simples fato de ele não ser um
blockbuster, mas um filme com um elenco enxuto e que consegue trazer o roteiro
ao seu máximo.
Não vale
a pena: A carga de drama do filme é bastante alta, e eu não recomendaria
ele para ninguém que passou por situações de cativeiro pelo simples fato de que
ele pode ser bastante traumático. Ele também não é, claramente, aquele filme despretensioso,
para ver em uma tarde tranquila apenas para relaxar, então se a ideia é um
entretenimento tranquilo, posso recomendar que esse não seja o escolhido.
Gostei? Sim, e
inclusive é um dos meus favoritos para o Oscar.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Considerando toda a ideia da Joy
de trazer o máximo de normalidade possível a aquele ambiente hostil, acho um
detalhe legal perceber que durante todo o tempo de cativeiro ela continua
usando um anel e um colar, algo que ela não precisaria fazer, mas que dá essa
sensação de que as coisas estão menos piores do que a realidade. Ah, e também o
fato de o Jacob dizer que está em um PAÍS chamado América (ai, Estados Unidos,
por que essa mania?).
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Muitas e muitas sessões de cinema.
Do que se
trata o filme: É uma história fictícia de uma mãe e seu filho que são mantidos
em cativeiro por muitos anos, e que conseguem fugir. Trata tanto de toda a
adaptação da mãe àquele ambiente hostil para a criança, como da readaptação que
ambos têm que fazer ao mundo.
Fala do
filme: “Não consigo acreditar que após tantas guerras no mundo, que
ainda resolvamos nossos problemas matando uns aos outros.” (me desculpem, eu
não sei falar ucraniano, então não coloquei o original.)
Vale a
pena: O primeiro motivo para esse documentário valer a pena é o
fato de ele ser extremamente didático, da maneira que se espera normalmente de
um documentário, e esclarecer de uma maneira bastante escolar tudo o que
aconteceu na Ucrânia em 2013/14, com ordem cronológica, uma tentativa de
mostrar diversos pontos de vista, infográficos, tudo o que se pode esperar.
Além disso, o que aconteceu na época foi muito mal noticiado no Brasil, o que
torna esse método bem didático ainda mais esclarecedor. É um documentário que
vale a pena para quem quer entender mais sobre o assunto, mas que também esteja
disposto a assistir algumas cenas mais pesadas de violência policial, mortes. É
interessante exatamente por mostrar uma realidade tão distante fisicamente do
Brasil, mas que de vez em quando também é tão condizente com a violência
policial existe aqui que até assusta.
Não vale
a pena: O primeiro motivo que consigo pensar para alguém não querer ver
o filme é o fato de ele ter as muitas cenas pesadas de violência policial,
tiros, pancadaria, mortes, que são uma coisa que nem todo mundo está disposto a
ver no domingo de manhã. Além disso, por ele ser bem informativo, acho que
talvez ele seja um pouco cansativo para quem já conhecia a história da Ucrânia
melhor do que eu, de forma que não acho que ele seja um documentário
aconselhável para pessoas mais peritas em política internacional do que eu.
Gostei? Sim, mas
com tanto documentário bom, não foi meu favorito.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: O que mais me impressionou nesse
documentário foi pensar o quanto algumas questões se tornaram globais, não
importando qual o governo, qual a população, alguns problemas simplesmente
persistem. Fiquei muito perplexa pensando na situação da polícia militar brasileira,
o fato de muitos dos métodos violentos ucranianos serem parecidos com os
"nossos", mas estarmos tão acostumados a isso que não temos mais
grandes atos contra ela. Além disso, fiquei bastante impressionada com o modo
que as coisas foram filmadas: simplesmente não consigo imaginar cinegrafistas
no meio de uma bagunça dessas no Brasil conseguindo filmar aquelas cenas
terríveis sem ninguém destruir suas câmeras depois.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Dá-lhe Netflix.
Do que se
trata o filme: É um documentário explicando melhor os eventos no final de 2013
e início de 2014 na Ucrânia, quando o então presidente se afastou da União
Européia em relação à Rússia, e a população tomou as ruas para tentar mudar o
rumo do seu país.
Fala do filme: “How come you don't play during daytime? I see you here everyday.”
“During the daytime people would want to hear songs that they know, just songs that they recognize. I play these song at night or I wouldn't make any money. People wouldn't listen.” “I listen.” (“Mas por que você não toca durante o dia? Eu te vejo aqui todo dia.” “Durante o dia, as pessoas querem ouvir músicas que elas conheçam, que reconheçam. Eu toco essas músicas a noite, ou eu não ganharia dinheiro. As pessoas não escutariam.” “Eu escuto.”
Vale a pena: Pessoas com uma boa viagem à Irlanda e lembranças nostálgicas regadas a Guiness e música de rua no mínimo abrirão um belo de um sorriso com muitas das cenas do filme. Ele segue bem à risca a ideia de um filme independente, com um naturalismo que de vez em quando é incrível (acho a primeira cena do piano realmente bonita) e que de vez em quando, para mim, é um pouco exagerado (câmeras muito trêmulas, principalmente), então acho que para o filme valer a pena, a pessoa tem que já ter na cabeça que não será uma superprodução, mas sim um filme bem alternativo que conseguiu vencer um Oscar. É uma história de amor fofa, com atuações no mínimo interessantes, então para quem quer dar aquela choradinha pelo amor entregue aos deuses (note, apenas uma choradinha, não um berreiro ao estilo Alabama Monroe), também é uma boa opção.
Não vale a pena: No primeiro ponto que poderia “enganar” o espectador, já estão todos avisados: apesar de ter vencido a um Oscar, ele não é uma superprodução, e qualquer pessoa que for vê-lo com essa mentalidade não vai gostar. Eu esperava um pouco mais do potencial fofura/desastre do romance entre um irlandês e uma imigrante, então acho que também vale dar a dica de que há, sim, uma história de amor, mas não é daquelas que você tem vontade de vivenciar, ou algo para assistir e entender melhor a essência de todos os relacionamentos.
Gostei? Médio. Estava a tanto tempo na minha lista do Netflix que eu esperava mais.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Faz bastante sentido que um menino tão apegado a um amor adolescente que continua cantando sobre isso quando adulto passe o filme inteiro usando as mesmas pulseiras e colar. Achei um bom toque sobre o personagem.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Netflix é o meu rei.
Tema do desafio cinéfilo: Um filme que comece com a mesma letra que o seu nome (não, meu nome não é Carol).
Do que se trata o filme: Trata-se da história do descobrimento de uma amizade/amor entre um rapaz irlandês que ajuda seu pai a consertar aspiradores de pó enquanto tenta ser um músico noturno em Dublin e uma estrangeira que busca um emprego e uma boa vida para sua filha (muito fofa) na mesma cidade.
Fala do
filme: “Are you nervous?” “Would it help?” (“Você está nervoso?” “Isso
ajudaria?”). (Sei que a frase em si não tem nada demais, mas o modo que ela é
usada recorrentemente no roteiro foi interessante)
Vale a
pena: Bom, é um típico filme do Spielberg, muito bonito, bem
feito, bem atuado, com o enredo interessante, então geralmente vale a pena
simplesmente por isso. O filme tem um ar político legal, que é entregue com um
ar estranhamente contemporâneo apesar de se passar na época da guerra fria, e
achei essa sensação de contemporaneidade algo que diferencia o filme dos muitos
outros sobre a época. A construção dos personagens faz com que você sinta
empatia por eles, o que é ajudado pelas atuações, faz com que as duas horas e
pouco do filme passem rápido. O roteiro, baseado em uma história real, é o
ponto mais forte. Bem-estruturado, ele faz com que todo o resto do filme flua
bem. Vale a pena para quem tem interesse em temas histórico-políticos, e queira
ver um longo filme.
Não vale
a pena: Bom, ainda é um filme do Spielberg, que é bem parecido com
todos os outros filmes do Spielberg. Não é muito diferente dos outros, então se
você não gosta deles, também não gostará desse. Ele é um filme que exige uma
boa concentração para entender o roteiro, então também não vale a pena para
assistir de maneira muito descompromissada. Por fim, para quem não tem
interesse na guerra fria, não faz muito sentido assistir.
Gostei? Gostei,
mas não foi dos meus preferidos.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Não achei nenhum detalhe
arrebatador nesse filme, mas quando fui fazer a pesquisa básica antes de
escrever aqui, percebi que ele tem muitos erros históricos. De verdade, com um
filme com alto orçamento, custa tanto fazer as pesquisas direito?
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Nesse exato momento, em nenhum
dos dois.
Do que se trata o filme: Quando
um advogado americano é convidado a advogar em defesa de um possível espião russo,
ele não imagina que a sua vida irá dar uma volta de 180º e se verá envolvido em
negociações internacionais relacionadas a prisioneiros da Guerra Fria.
Fala do
filme: “I need to see Einar.” “Let me help, please?” “I need my
husband, can you get him?” “I can’t.” “I need to talk to my husband, and I need
to hold my husband. Can you at least try?” “I’m sorry.” (“Eu preciso ver o
Einar.” “Posso ajudar, por favor?” “Eu preciso do meu marido, posso ficar com
ele?” “Eu não posso.” “Eu preciso falar com o meu marido, e eu preciso estar
com ele. Você pode ao menos tentar?” “Desculpe.”).
Vale a
pena: Vivemos em uma era de muita dificuldade sobre falar sobre
pessoas trans, então acho que no mínimo o filme merece ser visto por trazer
essa discussão a um público maior e conseguir sensibilizar mais pessoas, trazer
mais visibilidade a elas. Acho que o filme vale a pena exatamente por ter uma
sensibilidade que consegue mostrar o conflito interno da Lili, a dificuldade
enfrentada em uma época ainda mais complicada que hoje, o desconforto e
sofrimento que a descoberta de ser trans lhe causou e às pessoas ao seu redor,
e ao mesmo tempo como o amor e a amizade são extremamente importantes. Com algumas
cenas maravilhosas da Dinamarca que me fizeram ter vontade de ir para lá,
misturado com boas atuações, o filme se torna bonito, triste, e um pequeno tapa
na cara com luva de pelica. É um bom filme para causar reflexões, ainda mais
pensando que esse foi um caso tão antigo, e ainda temos muitas pessoas trans
morrendo todos os dias no mundo por conta de sua identidade de gênero.
Não vale
a pena: Para quem acha que ideologias de gênero e militância são
baboseira, acho que o filme não vai acrescentar muito, mas não custa ver, vai
que te ajuda a entender uma coisa ou outra. Além disso, acho que o filme não
vale a pena para quem espera um desenvolvimento rápido, algo muito dinâmico, um
filme tranquilo para passar uma tarde (ainda que uma das minhas poucas críticas
é que, talvez por causa do pouco tempo que tem um filme, o desenvolvimento da
Lili acabe sendo um pouco rápido demais). Quem não quer pensar, pelo menos um
pouco, não deve vê-lo.
Gostei? Sim!
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: De novo, o que reparei veio de
um pouco de pesquisa antes de ver o filme. Assim como no caso do filme do Jobs,
nesse filme apesar de haver uma inspiração no que aconteceu de verdade, algumas
coisas não são exatamente como retratadas: a Gerda era bissexual, provavelmente
a Lili não foi a primeira mulher a realizar a cirurgia de mudança de sexo, as
pinturas foram alteradas para parecer mais com os atores, apesar de tentar dar
visibilidade às pessoas trans, o papel principal não foi oferecido oficialmente
a nenhuma mulher trans, e há poucos papeis secundários que são representados
por pessoas trans.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Cinemas.
Do que se trata o filme: Gerda
e Einar vivem um casamento feliz, apesar de algumas decepções relacionadas à
natalidade e a falta de sucesso de Gerda como pintora. Mas toda essa situação
se altera quando Einar se descobre uma mulher transexual.
Não queria deixar a Vikander de lado da foto, que ela também está incrível no filme,
Fala do
filme: “You're probably thinking "This is a superhero movie, but
that guy in the suit just turned that other guy into a fucking kebab."
Surprise, this is a different kind of superhero story.” (“Você provavelmente
está pensando, ‘Isso é um filme de super-herói, mas aquele cara na fantasia
está fazendo um kebab com o outro’. Surpresa, esse é um tipo diferente de filme
de super-herói.”).
Vale a
pena: Tenho que admitir que quando penso em filme de super-herói
com o Ryan Reynolds, eu simplesmente fico um pouco assustada e com vontade de
fugir (obrigada, Lanterna Verde). No entanto, podemos ficar tranquilos que esse
filme pelo menos é melhor! O filme vale a pena para quem gosta de um humor bem
escrachado e de conotação sexual, e ele não vai decepcionar quem achou
engraçados os teaser e trailers do filme até agora. Ele vale a pena exatamente
por esse espírito de não se levar tão a sério quanto os maiores blockbusters da
Marvel, tendo um bom senso de humor autodepreciativo, cenas de quebras de
parede (que eu tenho que admitir que adoro), e nenhuma vontade, mesmo, de se
levar a sério. Ah, e também achei bem legal que ele faz muitas piadas com os vários universos da Marvel, com participações do Stan Lee (óbvio) e alguns X-men.
Não vale
a pena: A dica é: assista alguns dos materiais de divulgação, se
você achar eles legais e engraçados, o filme provavelmente valerá a pena, e se
não, ele com certeza não valerá. Não vale a pena para quem vai buscando um
filme que muda vidas, nem quem está atrás de um super-herói convencional. Nesse
caso, também acho que seria interessante que a classificação indicativa de 16
anos seja respeitada, que o filme é meio pesado mesmo.
Gostei? Apesar
de não conhecer nada do super-herói antes do filme, eu gostei. Acho que ele
tinha potencial de ser um pouco mais adulto, mas gostei.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: O bar que tem a tábua de apostas
de morte me pareceu um bar muito divertido, apesar de assustador. Toda hora
está tocando música boa, a cerveja parece gelada, e ninguém paga as contas.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Cinemas.
Do que se
trata o filme: Um homem está com câncer terminal e tem a opção de aceitar
ou de entrar em um programa para tentar gerar uma mutação que cure o câncer.
Todo o resto do filme vem da sua escolha pela segunda opção, que acaba o
desfigurando.
Pelo menos o marketing do filme soube tirar o melhor proveito do seu humor.
Fala do
filme: “Agora os garotos da vila usam para pregar peças. Dizem que há
fantasmas lá.” “Querido, por favor... Ele ama histórias do tipo”. “Melhor ficar
longe de lá.”
Vale a
pena: Acho incrível observar como as animações japonesas que
chegam a um determinado sucesso são bonitas. Parece que cada quadro que você
parar vai ser uma pintura diferente, incrivelmente detalhada e linda. Assim, no
mínimo recomendo o filme para quem gosta de apreciar belas cenas. Além disso, o
filme tem uma temática de amadurecimento que não é incomum em animações, mas
devo dizer que a sensibilidade com a qual o tema é trabalhado durante o filme é
um grande diferencial, e ele vale a pena por isso. Por fim, também acho que ele
valha a pena para quem gosta de animações e não conhece muitas animações
japonesas, porque muitas vezes elas têm significados culturais mais profundos,
e nós ocidentais acabamos não compreendendo elas corretamente. Como essa tem um
tema mais geral, ela acaba se tornando mais fácil de compreender. E bom, dizem que é o último filme do Estúdio Ghibli, concorrendo ao Oscar, então acho sempre bom ver.
Não vale
a pena: Bom, não é um filme que valha a pena para quem quer
assistir uma animação super animada e feliz, com músicas e alegria no melhor
estilo Disney. Esse filme tem um tom bem mais melancólico, que é muito bonito,
mas que não vale a pena para quem está triste e querendo se animar. Além disso,
para quem está acostumado às animações japonesas, talvez esse filme pareça um
pouco mais simples que o usual, por conta dessa temática menos mitológica e
mais universal.
Gostei? Sim,
mas devo admitir que me senti um pouco deprimida quando ele acabou.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Não sou grande conhecedora dos
hábitos japoneses, mas achei interessante que mesmo com tudo escrito em
japonês, o HB do lápis de desenho ainda seja escrito da maneira ocidental. Além
disso, achei bem bonitinha a maneira com que os olhos de Anna vão mudando de
tonalidade ao longo do filme, de acordo com suas emoções.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Não.
Do que se
trata o filme: Anna é uma garota adotiva que tem sérias dificuldades em
se adaptar. Ela é enviada pela sua família para uma cidade no interior, onde
deve se curar de sua asma. Mas lá ela conhece Marnie, e com a menina aprende
sobre a amizade e o amor.
Fala do
filme: "What do you do? You're not an engineer. You're not a
designer. You can't put a hammer to a nail. I built the circuit board! The
graphical interface was stolen! So how come ten times in a day I read Steve
Jobs is a genius? What do you do?.” “Musicians play their instruments. I
play the orchestra.” (“O que você faz? Você não é um engenheiro. Você
não é um designer. Você não consegue martelas um prego. Eu construí o circuito!
A interface gráfica foi roubada! Então, como é possível que dez vezes ao dia eu
leio que o Steve Jobs é um gênio? O que você faz?” “Músicos tocam os seus
instrumentos. Eu toco a orquestra.”). Eu juro que eu escrevo isso antes de selecionar o trailer, enquanto vejo o filme.
Vale a
pena: Olha, desde a morte do Steve Jobs, mais de um filme foi
lançado sobre a sua história, e eu devo dizer que dentre eles, esse foi o que
eu mais gostei. Acho que o filme vale a pena para mostrar uma faceta um pouco
menos endeusada e marcada por excentricidades de Jobs. O filme mostra um pouco
sobre o modo que ele gostava de liderar, que não é exatamente o meu modo
favorito, então achei interessante exatamente por não haver um endeusamento
dele. O filme vale a pena também por trazer uma estrutura bastante diferente:
se passa em três momentos decisivos da carreira dele, com flashbacks e
flashforwards fazendo as ligações entre eles. Acho que é um filme que vale a
pena para pessoas que se interessam por esse meio corporativo, por essa questão
de desmistificação, e para quem quer um filme que entretenha, porque ele tem um
roteiro interessante, boas atuações, boa trilha sonora.
Não vale
a pena: Acho que o filme não vale a pena para quem gostou de Jobs,
com o Ashton Kutcher, pois não é nada disso que esse filme irá mostrar. Além
disso, quem vai com a mentalidade de que o cara simplesmente era o gênio dos
negócios, pode ser um pouco complicado porque essa não é a sua única faceta que
é mostrada. Por fim, eu particularmente não acho que o filme seja interessante
para quem está buscando um filme com temática inovadora ou com um roteiro
rebuscado, porque apesar de algumas cenas de discussão serem muito
interessantes, há momentos em que o filme cai em clichês um pouco
inexplicáveis.
Gostei? Achei
interessante, mas ainda não consigo entender porque são feitos tantos filmes
sobre o Steve Jobs, e porque nenhum deles tenta se manter mais fiel ao que
aconteceu de verdade, ao invés de inventar momentos interessantes para a sua
vida.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Como um perfeccionista,
devo dizer que aquela luz verde de saída realmente incomoda a vista. Além disso, achei que há um pouco de negligência na adaptação histórica, havendo muitas peças de roupas que estão na moda atualmente sendo colocadas no início dos anos 2000.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Está em poucas sessões de cinema.
Do que se
trata o filme: O filme parte de três momentos que foram muito importantes
na vida de Steve Jobs para tentar explica-lo: o lançamento do Macintosh, de sua
empresa NeXT e do iMac. Junto a isso, ele fala de suas relações interpessoais,
mas não se esqueça que ele é um filme, e não um documentário, então ele tende a
ser fantasioso em alguns momentos.
Apenas uma pequena maquiagem entre Macbeth e Jobs, não, Fassbender?
Fala do
filme: "Back in the day, vigilante wasn’t a bad thing. Say that
some bandits are coming to your town, the townspeople would get togheter and
and defend their town. Now, when people hear that phrase, they think of
vigilantes as people with white sheets over their heads, that fucking hang
people on threes. It’s bullshit.” (“Antigamente, vigilante não era uma coisa
ruim. Digamos que alguns bandidos estavam chegando em sua cidade, as pessoas
iriam se reunir e defender a vidade. Agora, quando as pessoas ouvem essa frase,
elas pensam em vigilantes como pessoas com lençóis brancos na cabeça, que
enforcam pessoas em árvores. Isso é mentira.”)
Vale a
pena: Falando em filmes indigestos, esse foi um documentário tão
pesado que eu perdi quase a noite inteira de sono sonhando com coisas
violentas. Ele vale a pena para quem gosta de documentários bem investigativos,
com realidades bem diferentes das suas completamente escancaradas. Toda a
equipe do filme merecia no mínimo uma medalha de mérito pela coragem de
filmá-lo, porque olha, a coisa é bem tensa, viu? Muito diferente dos outros
documentários que vi até agora para o Oscar, esse gera muito material novo e um
pouco assustador, mostrando uma realidade de maneira quase que imparcial, mas
permitindo que o espectador forme a sua opinião sobre essa confusão inteira na
fronteira do México. Vale a pena para quem se interessa nesse assunto das
brigas de fronteira, e também para quem gosta de conhecer realidades difíceis e
perigosas, sair da zona de conforto.
Não vale
a pena: Já comecei o texto dizendo que tive pesadelos com esse
filme porque ele é realmente pesado. Cenas reais de violência civil e militar,
todo tipo possível de intolerância, cenas com cabeças decapitadas, de tortura
psicológica, de agressão, acontecem durante todo o filme, então não recomendo
para quem tem qualquer tipo de sensibilidade à violência. Além disso, ele não
vale a pena para quem quer assistir alguma coisa tranquila para passar o tempo,
porque o assunto é complicado e cheio de nuances.
Gostei? No
mínimo tenho que admirar a coragem e ousadia dos caras. Mas gostei, sim, do
documentário.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Na verdade, nesse caso é
mais uma reflexão: de onde aquele povo das autodefesas arranja tanta arma
pesada? Pensar em como uma população tem acesso àquilo me assusta.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Sim, está no Netflix.
Do que se
trata o filme: Essa é uma história difícil de explicar. O documentário se
passa dos dois lados da fronteira México/EUA. Do lado dos EUA, ele mostra uma
das milícias armadas que se formou para tentar expulsar possíveis imigrantes ou
traficantes da entrada do país. Por outro lado, no México, ele mostra como a
vida dos cartéis atormentou a população, e uma parte dela criou outra milícia
armada para tentar se livrar dos cartéis. Aí, ele segue para a evolução dessas
duas milícias.
Foto bem assustadora para já espantar o leitor desavisado
Fala do
filme: "They don’t hear your voice. They just see the colour of
you face.” (“Eles não ouvem a sua voz. Eles só veem a cor da sua cara.”)
Vale a
pena: Como é bem possível perceber pelo meu blog, eu sou uma boa
fã do trabalho do Iñárritu. Admito que ele é um cara bastante prepotente, e que
muitas vezes faz coisas que são simplesmente complicadas demais. Mas me
apaixonei por esse filme. Ele vale a pena porque parte de um roteiro que não
tem nada demais, baseado numa antiga história americana e é bem adaptado, e faz
com que você simplesmente não consiga tirar os olhos da tela por mais de duas
horas. São atuações incríveis, uma das fotografias mais bonitas da minha vida
(e mais complicadas também, afinal, eles tentaram não utilizar iluminação além
da natural por quase todo o filme), uma maquiagem impecável, uma continuidade
que é bem complicada para filmes tão longos... Enfim, é todo um mix de coisas
que faz com que o filme valha a pena para quem está interessado em ver algo
tenso, difícil de digerir, e bem fora do comum.
Não vale
a pena: Tem alguns fatores que podem levar pessoas a não gostarem
tanto assim do filme, como o fato de ele ser tenso, difícil de digerir, fora do
comum e bem longo. Também não vale a pena para qualquer pessoa com
sensibilidade a filmes com consumo de carne crua, ataques de animais e coisas
aflitivas no geral.
Gostei? Muito!
Espero que seja de novo um dos grandes ganhadores do Oscar.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Achei um pequeno erro
histórico: tem uma hora que o Di Caprio fecha o zíper da sua calça. Mas
supostamente nessa época não tinham inventado os zíperes.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Praticamente em todas as salas em
São Paulo.
Do que se
trata o filme: Glass está orientando uma trupe de caçadores que produz
peles para venda. No meio do caminho, eles são atacados por um grupo de índios,
e precisam sobreviver para retornar à sua base, do outro lado das montanhas.
Fala do
filme: "But I don’t think I’m gonna be famous. I don’t think I
could handle it. I’d probably get mad, you know what I mean? I would go mad.”
(“Mas eu não acho que vou ficar famosa. Eu não acho que eu conseguiria lidar
com isso. Eu provavelmente ficaria louca, você me entende? Eu ficaria louca.”)
Vale a
pena: Quando a Amy Winehouse morreu, pouco se falou sobre as
causas reais da sua morte, e muito se falou sobre as influências que as outras
pessoas tiveram sobre ela. Acho esse documentário bem legal porque eles tentam
traçar uma linha do tempo de tudo o que deu errado, mostrando bastante a
relação de causa e consequência das coisas que aconteceram em sua vida. Além
disso, ele é interessante para mostrar um belo retrato da sociedade louca em
que as celebridades vivem: as cobranças insanas sobre suas vidas profissionais
(mesmo quando elas já lucram muito), a loucura que é ter paparazzis atrás de
você o tempo inteiro, como a sua família pode tentar se aproveitar do seu
sucesso. Duas coisas que eu achei legal nesse documentário são que ele não
isenta ninguém de culpa sobre as próprias ações (o que eu não gostei no da Nina
Simone), e que ele conseguiu pegar ótimas cenas gravadas por pessoas próximas à
Amy, nas quais ela estava mais confortável, mostrando um lado bem diferente da
cantora.
Não vale
a pena: O filme tem um grande gatilho para quem está em uma luta
com drogas, álcool ou bulimia, pois trata frequentemente desses assuntos. Além
disso, uma crítica que eu tenho a fazer sobre ele é que seu tom é um pouco
fatalista demais, parece que a Amy estava fadada a ter aquela morte aos 27
anos, algo em que eu não acredito. Ah, e claro, não vale a pena para quem não
gosta de documentários, ou tinha antipatia pela Amy.
Gostei? Sim!
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: É impressionante como em
duas horas de documentário, só tem umas 4 ou 5 cenas em que a Amy aparece sem nenhum
delineador (desde os seus 14, 15 anos).
Tem no Netflix/Tá passando no
cinema? Sim, ele está por tempo limitado no Netflix. Tema do desafio cinéfilo: Um filme
com apenas um nome no título. Aproveitei e matei dois coelhos com uma cajadada.
Do que se
trata o filme: De novo, é um documentário, do nascimento à morte, de uma
cantora extremamente talentosa. Ele também leva bastante em conta as
influências de outras pessoas na sua vida, e tenta explicar um pouco de seu
trágico destino.
Amy Winehouse arrasando o look pouco carregado na praia
Fala do
filme: "How does royalty stomp around in the mud and still walk
with grace? Most people are afraid to be as honest as she lived—she was
not at odds with the times. Times was at odds with her. If we were living in an
environment that allowed us to be exactly who we are, you're always in congress
with yourself. The challenge is how do we fit in in the world that we're
around. Are we allowed to be exactly who we are?" (“Como a realeza
pisoteia pela lama e continua andando com graça? A maioria das pessoas tem medo
de ser tão honesta quanto ela viveu – ela não vivia no tempo correto. O tempo
não estava de acordo com ela. Se nós estivéssemos vivendo em um ambiente que
nos permitisse ser exatamente quem somos, você está sempre em acordo consigo
mesmo. O desafio é como nos adaptamos no mundo em que vivemos. Somos permitidos
a ser exatamente quem somos?”)
Vale a
pena: Em primeiro lugar, esse é o primeiro ano que estou
tentando acompanhar os Oscares completamente, então farei também comentários
sobre os documentários. Bom, eu sou da teoria de que sempre se pode aprender
algo novo, então a não ser que um documentário seja muito ruim, ao menos se
aprende algo com ele. E esse em particular é muito interessante. Acho que o período
de segregação racial é complexo, difícil, indigesto, mas deve ser estudado,
para que se aprenda algo com ele. Assim, um documentário sobre a vida de uma
mulher que foi um emblema desse momento é muito importante. O documentário vale
a pena tanto pelo seu conteúdo engrandecedor quanto pelo belo trabalho documental,
que consegue focar em vários pontos de vista para contar uma única história.
Vale a pena também para mostrar como o Netflix está trabalhando para produzir
bom conteúdo para os seus assinantes.
Não vale
a pena:Racistas. Bom, não vale a para quem não tem
interesse no gênero (acontece), no tema, ou na cantora. Eu tenho uma crítica mais
pessoal ao documentário, por ele se alguma maneira de colocar em cima do muro
quanto a toda a situação, não focando muito no relacionamento abusivo que ela
vivia, não fazendo as conexões disso com o modo que ela se relacionou com sua
filha. Achei que faltou um pouco de humanidade nesse sentido, o que pode
incomodar outras pessoas. Ah, e para quem é sensível aos assuntos de racismo e abusividade, há momentos difíceis no filme sobre isso.
Gostei? Bastante.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Só uma quantidade muito
limitada de pessoas consegue ficar tão incrivelmente maravilhosa em um turbante
combinando com um vestido quanto ela.
Tem no Netflix/Tá passando no
cinema? Original do Netflix.
Do que se
trata o filme: É um documentário que trata da vida da Nina Simone,
tangendo sua vida pessoal, suas músicas, sua militância, seus relacionamentos.
Tudo contado por pessoas presentes em sua vida, e entrevistas concedidas antes
de sua morte.
Fala do
filme: "Naquela época, eu pensei que havia coisas mais
importantes do que estar com você e sua mãe. Eu queria tentar mudar o mundo, e
aí compartilhar com você. Eu falhei, como você pode perceber.”
Vale a
pena: É impressionante como um filme extremamente bem feito pode
parecer atemporal, que é o que acontece com esse (exceto pelos celulares
antigões). O filme vale a pena para todas as pessoas que gostam de uma boa
trama, cheia de carga emocional e meandros, com atuações realmente de tirar o
fôlego, e que está bem fora daquilo que estamos acostumados a ver no cinema
norteamericano. Vale a pena para quem está querendo se adaptar a cinemas menos
comerciais, também, porque apesar de ser ~diferentão~ ele ainda segue uma
narrativa bem lógica, que não confunde o espectador. Além disso, considerado a
hype que o diretor está atualmente, faz sentido conhecer melhor a sua obra e
sua evolução.
Não vale
a pena: Bom, se a ideia de um filme com três narrativas diferentes
que se tangenciam não for a sua cara, com certeza nem esse filme nem essa
trilogia agradarão. O filme também não é o melhor para quem gostou dos últimos
filmes do diretor, e só quer assistir se for algo no mesmo sentido, porque ele
é bem diferente.
Gostei? Sim,
e muito.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: O filme é dos anos 2000,
mas a Suzana bem que usa anéis, pulseiras e colares do tipo tatuagem, que eram
muito famosos nos anos 1990 e que recentemente voltaram à moda.
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Netflix.
Do que se
trata o filme: São três histórias sobre decisões de vida relacionadas ao
amor que se cruzam em um acidente de carro. A primeira, sobre um rapaz
apaixonado pela cunhada, a segunda sobre um homem que larga a esposa por uma
modelo, e a terceira sobre um homem que realiza assassinatos por encomendas.
21 gramas
Trailer:
Fala do
filme: "You can help me die better. That's what you're
saying. You can help me die BETTER. Well, I'm not gonna do that, okay? I'd
rather die outside.” (“Você pode me ajudar a morrer de forma melhor. É isso que
você está falando. Você pode ne ajudar a morrer MELHOR. Bom, eu não farei isso,
certo? Eu prefiro morrer lá fora.”)
Vale a
pena: Para quem gostou do Amores Brutos, a chance de gostar
desse também é alta. Vale a pena para quem gosta dessa ideia de roteiro com
vidas que se encontram, mas que topa um pouco mais de reflexão sobre o filme
porque esse não é contado de maneira temporal (tem flashbacks para o futuro e o
passado). Também vale a pena para as pessoas que têm algum tipo de preconceito
com o espanhol, porque nesse filme são usados apenas diálogos em inglês (olha
Hollywood chegando aí). Por fim, é um filme que vale a pena pela profundidade
de seus personagens, que são tão interessantes por conta das performances de
atores muito bons (não vou destacar só um, porque são todos).
Não vale
a pena: Esse não é um bom filme para quem tem o estômago fraco ou está
sensível, porque tem algumas cenas muito fortes, e outras muito tristes. É um
filme pouco indicado para quem quer um filme leve e tranquilo, porque além
disso, é necessário prestar bastante atenção e pensar sobre o filme, para que
ele faça total sentido na sua cabeça.
Gostei? Gostei.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Se você é um ex´-alcóolatra
loucão curado pela palavra de Jesus, o que você faz com suas orelhas furadas?
Coloca brincos em formato de cruz, é claro!
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Infelizmente em nenhum dos dois.
Do que se
trata o filme: Novamente se trata da história de três famílias. A
primeira, mais simples, começa com o dia-a-dia de um casal e suas duas filhas,
sem grandes empecilhos. A segunda, de um casal no qual o marido tem uma doença
no coração e está na fila de espera para um transplante. A terceira é sobre
outra família, com um pai alcóolatra curado por Jesus, sua esposa, e seus dois
filhos.
Babel
Trailer:
Fala do
filme: "You understand? We gotta call nine-one-one.” “Don’t
leave me, please! (“Você entende? Precisamos ligar para a emergência.” “Não me
abandone, por favor.”)
Vale a
pena: Puts, o filme é um final perfeito para essa trilogia. Acho
que ele vale a pena para quem gostou dos outros dois, e o que é interessante é
que pelo fato de os filmes terem essa estrutura de haver tangência entre as
histórias a partir de algum acidente, pode-se pensar que eles seriam muito
parecidos, o que não acontece: achei todos bons, mas bem diferentes. Nesse
caso, também é necessário estar disposto a pensar, pois é um filme longo,
denso, e com aquela mesma estrutura. O filme vale a pena pela arte maravilhosa
em tela, e também pelas atuações muito boas, que não deixam a desejar em
momento algum. Acho sempre legal ressaltar também que como o filme se passa em
diversos locais, é respeitado que cada lugar tenha a sua língua. Ou seja,
mexicanos falam espanhol, árabes falam árabe e japoneses falam japonês.
Não vale
a pena: Bom, como já dito, nenhum desses vale a pena para quem
quer um filme intelectualmente tranquilo e sem cenas fortes. Ah, e uma coisa
para quem está com preguiça: a trilogia como um todo não vale a pena para quem
está com preguiça, porque cada filme tem mais de duas horas.
Gostei? Sim,
gostei da trilogia como um todo.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Olha esses filmes lançando
tendência. Se no primeiro são as gargantilhas, nesse tem os cabelos coloridos
das japonesas. O que também é interessante de olhar na trilogia é como os
filmes vão se tornando cada vez mais orientais, seja pela língua, seja pela
técnica, ou pela fotografia (até os recados no fim do filme passam para o
inglês).
Tem no
Netflix/Tá passando no cinema? Sim, a última parte da trilogia
está no Netflix.
Do que se
trata o filme: Agora são quatro histórias ao redor do globo que se
interconectam: em um vilarejo árabe, uma família compra um rifle; uma menina
japonesa surda-muda que tem dificuldades em se relacionar com meninos, que a
tratam mal pela deficiência; um pai e uma mãe que estão de férias para
reconstruir seu casamento; e seus filhos com a empregada, nos EUA.