segunda-feira, 6 de junho de 2016

Chatô, o Rei do Brasil, dirigido por Guilherme Fontes (Chatô, o Rei do Brasil).

Trailer: 
Fala do filme: “Seja mais prudente, homem!” “Oh, Severino, ser prudente é antes de tudo ser medíocre. Eu não vou passar o resto da minha vida atrás desse balcão cortando pano. Eu não quero morrer sendo o homem da tesourinha, não, eu não tenho vocação para isso. Eu vou trabalhar nesse jornal aqui.”
Vale a pena: Raros são os filmes nacionais que se envolvem com tanta polêmica quanto o Chatô conseguiu se envolver, tanto por conta do longo tempo entre a produção e a distribuição, quanto pela distribuição forçosamente independente que teve que ser realizada. Mas acho que o filme funciona muito bem como uma alegoria, no melhor estilo de Terra Papagali, mas que continua fazendo total sentido no Brasil atual, desde a manipulação da mídia quanto a busca do poder pelo poder dos considerados “Grandes Homens”, então ele vale a pena por, mesmo tendo seus 20 anos, tratar desse tema tão atual. E para mim, a forma que ele foi trabalhado contribuiu imensamente para que ele valesse a pena: o filme é uma grande alegoria do período, com todos os assuntos sendo tratados com um exagero desmedido que deixa bem claro qual é a mensagem que cada cena quer passar. Visualmente, achei ele tão bem feito quanto bonito: as alegorias de personagem dão um ar de história contada que acaba deixando o filme no meio do caminho entre Cidadão Kane e 8 ½. Se você quiser assistir a um filme ao mesmo tempo interessante, irritante e que trate de uma grande crítica a algumas questões do nosso país, esse vale a pena. É um filme que funciona tanto por ter uma história por trás que parece fictícia apesar de não ser, e também porque as atuações principalmente de Marco Ricca quanto da Andrea Beltrão.
Não vale a pena: Tem uma coisa no filme que para mim não funciona em nenhum grau, que é a atuação em cima do Getúlio Vargas. Apesar de eu saber que era uma alegoria forçada, eu simplesmente não consegui compra-lo. Além disso, o excesso de alegorias faz com que se duvide um pouco de cada uma das cenas, de modo que ao final do filme, fica-se com uma sensação de não ter entendido muito bem o que é realidade e o que é artifício. E, é claro, se você não quiser ver um filme brasileiro mais metafórico e conceitual, não adianta perder o seu tempo com esse.
Gostei? No mínimo, me surpreendeu.
Detalhe que provavelmente só eu reparei: Ainda dentro da atualidade que mesmo sem querer o filme tem, quando Chatô está na festa e vai falar sobre a Paraíba, ele utiliza a expressão “que raça de homem de bem”. A semelhança com a atualidade não é mera coincidência.
Tem no Netflix/Tá passando no cinema? Surpreendentemente, ele está no Netflix.


Do que se trata o filme: É a história do magnata da mídia Assis Chateaubriand, que foi ao mesmo tempo responsável pela TV Tupi e pela criação do MASP, em São Paulo (só para mostrar como esse homem ainda é presente em nossas vidas.).

Ha-ha-ha-ha-ha mas eu to rindo a toa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário