Trailer:
Fala do
filme: “Seja mais prudente, homem!” “Oh, Severino, ser prudente é antes
de tudo ser medíocre. Eu não vou passar o resto da minha vida atrás desse
balcão cortando pano. Eu não quero morrer sendo o homem da tesourinha, não, eu
não tenho vocação para isso. Eu vou trabalhar nesse jornal aqui.”
Vale a
pena: Raros são os filmes nacionais que se envolvem com tanta
polêmica quanto o Chatô conseguiu se envolver, tanto por conta do longo tempo
entre a produção e a distribuição, quanto pela distribuição forçosamente
independente que teve que ser realizada. Mas acho que o filme funciona muito
bem como uma alegoria, no melhor estilo de Terra Papagali, mas que continua
fazendo total sentido no Brasil atual, desde a manipulação da mídia quanto a
busca do poder pelo poder dos considerados “Grandes Homens”, então ele vale a
pena por, mesmo tendo seus 20 anos, tratar desse tema tão atual. E para mim, a
forma que ele foi trabalhado contribuiu imensamente para que ele valesse a
pena: o filme é uma grande alegoria do período, com todos os assuntos sendo
tratados com um exagero desmedido que deixa bem claro qual é a mensagem que
cada cena quer passar. Visualmente, achei ele tão bem feito quanto bonito: as
alegorias de personagem dão um ar de história contada que acaba deixando o
filme no meio do caminho entre Cidadão Kane e 8 ½. Se você quiser assistir a um
filme ao mesmo tempo interessante, irritante e que trate de uma grande crítica
a algumas questões do nosso país, esse vale a pena. É um filme que funciona
tanto por ter uma história por trás que parece fictícia apesar de não ser, e
também porque as atuações principalmente de Marco Ricca quanto da Andrea
Beltrão.
Não vale
a pena: Tem uma coisa no filme que para mim não funciona em nenhum grau,
que é a atuação em cima do Getúlio Vargas. Apesar de eu saber que era uma
alegoria forçada, eu simplesmente não consegui compra-lo. Além disso, o excesso
de alegorias faz com que se duvide um pouco de cada uma das cenas, de modo que
ao final do filme, fica-se com uma sensação de não ter entendido muito bem o que
é realidade e o que é artifício. E, é claro, se você não quiser ver um filme
brasileiro mais metafórico e conceitual, não adianta perder o seu tempo com
esse.
Gostei? No
mínimo, me surpreendeu.
Detalhe
que provavelmente só eu reparei: Ainda dentro da atualidade que
mesmo sem querer o filme tem, quando Chatô está na festa e vai falar sobre a Paraíba,
ele utiliza a expressão “que raça de homem de bem”. A semelhança com a
atualidade não é mera coincidência.
Tem no Netflix/Tá
passando no cinema? Surpreendentemente, ele está no Netflix.
Do que se
trata o filme: É a história do magnata da mídia Assis Chateaubriand, que foi
ao mesmo tempo responsável pela TV Tupi e pela criação do MASP, em São Paulo
(só para mostrar como esse homem ainda é presente em nossas vidas.).
Ha-ha-ha-ha-ha mas eu to rindo a toa.

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