Começarei a
resenhar com menos regras algumas outras coisas relacionadas a cultura que
fazem parte da minha vida, como temporadas de séries e alguns livros, tanto
para treinar a minha capacidade de fazer isso quanto para tentar orientar
pessoas a partir da minha experiência.
E para começar
esse exercício, não poderia escolher praticamente nada mais polêmico do que
Hannibal, a série que acabou não sendo renovada após a terceira temporada
porque, apesar de ser um sucesso de crítica, simplesmente não conseguia a
audiência necessária para continuar sendo produzida. Adianto que essa realmente
não é uma série para todo mundo, mas ver que não haverá continuação já me
deixou um pouco decepcionada. Por outro lado, sabendo que era uma série que
iria logo acabar, e que estava disponível do Netflix, acabei dando uma chance para
ela, algo do qual não me arrependi.
Admito que
começar a série foi difícil, porque ela é muito densa psicologicamente, tem
muitas cenas que passam um pouco o meu limite do que é perturbador, e acabei
até sonhando que minha mãe era uma assassina por conta dela. Mas, ao decorrer
dos episódios, por conta de uma mistura de um roteiro muito bem feito, com uma
adaptação visual muito boa, atuações de tirar o fôlego e um mistério que não
para, acabei superando os detalhes mais perturbadores para assistir a história.
E a história,
por si só, não é fácil. Saindo de uma trilogia de livros que já haviam sido
adaptados parra o cinema, acho que o primeiro grande desafio era simplesmente
afastar a cabeça das pessoas do Hopkins, que fez a adaptação de cinema O silêncio dos inocentes e vender esse
novo contexto. Aliás, a adaptação foi ainda mais complicada porque, por conta
dos direitos autorais, nem todos os personagens do filme poderiam ser usados no
livro. Mas enfim, a série te coloca na vida de Will Graham, um agente especial
do F.B.I. que é capaz de pensar como os psicopatas e então pode desvendar
crimes que ninguém mais consegue. Como esse trabalho não é simples, ele
contrata o Hannibal para ser seu psiquiatra, e toda a série se desenvolve a
partir do relacionamento entre esses dois homens quando Will começa a desvendar
crimes.
Acho que o
ponto principal da série foi saber dosar a estranheza de todos os personagens
em um contexto tão fora do comum, além de conseguir colocar alguns requintes de
crueldade nos crimes que não são tão comuns na linguagem da televisão. Os
personagens principais são extremamente bem construídos e atuados, o que faz
com que toda aquela doidice que vemos seja crível. Do outro lado da faca, acho
que o maior pecado da série consiste em insistir em alguns símbolos por tempo
demais. Tudo bem que a série deveria ser vista mais aos poucos do que eu vi,
mas acho que todo mundo cansa dos alces que são utilizados com frequência ao
longo da temporada. E alguns efeitos especiais, como o que acontece com o fogo
mais para o fim da temporada, são muito fora da realidade, e acabam
distanciando o espectador.
E a temporada
vai evoluindo e fazendo com que você queira saber cada vez mais como toda a
maluquice vai acabar (poderia dar exemplos das indagações, mas ao mesmo tempo
não quero dar spoilers), chegando a um fim ao mesmo templo delirante e
esclarecedor. Em poucas palavras, é uma série muito legal e autoral, que merece
ser vista. Mas por quem tem o estômago forte.
Um brinde a mais uma série assistida.

Eu particularmente gostei da série, vc tem razão as sequências repetidas no começo de alguns episódios cansam muito, mas as atuações do hannibal deixam qualquer tipo de defeito de lado.
ResponderExcluirAdorei a matéria, continue escrevendo mais sobre séries!!!!