domingo, 17 de julho de 2016

BÔNUS: Hannibal, criado por Bryan Fuller (Hannibal) - TEMPORADA 1

            Começarei a resenhar com menos regras algumas outras coisas relacionadas a cultura que fazem parte da minha vida, como temporadas de séries e alguns livros, tanto para treinar a minha capacidade de fazer isso quanto para tentar orientar pessoas a partir da minha experiência.
            E para começar esse exercício, não poderia escolher praticamente nada mais polêmico do que Hannibal, a série que acabou não sendo renovada após a terceira temporada porque, apesar de ser um sucesso de crítica, simplesmente não conseguia a audiência necessária para continuar sendo produzida. Adianto que essa realmente não é uma série para todo mundo, mas ver que não haverá continuação já me deixou um pouco decepcionada. Por outro lado, sabendo que era uma série que iria logo acabar, e que estava disponível do Netflix, acabei dando uma chance para ela, algo do qual não me arrependi.
            Admito que começar a série foi difícil, porque ela é muito densa psicologicamente, tem muitas cenas que passam um pouco o meu limite do que é perturbador, e acabei até sonhando que minha mãe era uma assassina por conta dela. Mas, ao decorrer dos episódios, por conta de uma mistura de um roteiro muito bem feito, com uma adaptação visual muito boa, atuações de tirar o fôlego e um mistério que não para, acabei superando os detalhes mais perturbadores para assistir a história.
            E a história, por si só, não é fácil. Saindo de uma trilogia de livros que já haviam sido adaptados parra o cinema, acho que o primeiro grande desafio era simplesmente afastar a cabeça das pessoas do Hopkins, que fez a adaptação de cinema O silêncio dos inocentes e vender esse novo contexto. Aliás, a adaptação foi ainda mais complicada porque, por conta dos direitos autorais, nem todos os personagens do filme poderiam ser usados no livro. Mas enfim, a série te coloca na vida de Will Graham, um agente especial do F.B.I. que é capaz de pensar como os psicopatas e então pode desvendar crimes que ninguém mais consegue. Como esse trabalho não é simples, ele contrata o Hannibal para ser seu psiquiatra, e toda a série se desenvolve a partir do relacionamento entre esses dois homens quando Will começa a desvendar crimes.
            Acho que o ponto principal da série foi saber dosar a estranheza de todos os personagens em um contexto tão fora do comum, além de conseguir colocar alguns requintes de crueldade nos crimes que não são tão comuns na linguagem da televisão. Os personagens principais são extremamente bem construídos e atuados, o que faz com que toda aquela doidice que vemos seja crível. Do outro lado da faca, acho que o maior pecado da série consiste em insistir em alguns símbolos por tempo demais. Tudo bem que a série deveria ser vista mais aos poucos do que eu vi, mas acho que todo mundo cansa dos alces que são utilizados com frequência ao longo da temporada. E alguns efeitos especiais, como o que acontece com o fogo mais para o fim da temporada, são muito fora da realidade, e acabam distanciando o espectador.

            E a temporada vai evoluindo e fazendo com que você queira saber cada vez mais como toda a maluquice vai acabar (poderia dar exemplos das indagações, mas ao mesmo tempo não quero dar spoilers), chegando a um fim ao mesmo templo delirante e esclarecedor. Em poucas palavras, é uma série muito legal e autoral, que merece ser vista. Mas por quem tem o estômago forte.


Um brinde a mais uma série assistida.

Um comentário:

  1. Eu particularmente gostei da série, vc tem razão as sequências repetidas no começo de alguns episódios cansam muito, mas as atuações do hannibal deixam qualquer tipo de defeito de lado.
    Adorei a matéria, continue escrevendo mais sobre séries!!!!

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